Cilmar Machado

Cilmar Machado

O radialista Cilmar Machado escreve toda terça-feira neste espaço. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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CHOREI...

Confesso, chorei. Embora digam que um homem não deve chorar, a exemplo da música de Moacyr Franco, ainda ontem chorei de saudade. Minto, foi no domingo. Após 49 anos de contínua convivência, quase cumplices, ela teve que me deixar. Foram anos e anos de expectativa, de cumplicidade e que geraram filhos tão diletos. Quantos? Não sei. Apenas me lembro de alguns: Lourival Rocha, o Marrom, hoje na rádio CBN; o Samuel Gonçalves, da Rádio Capital e hoje radio difusor na Baixada santista; o ¨Caveirinha¨, hoje na Rádio Capital e o Ernesto Foschi, no setor de rádio, na USP de Campinas. Foram funcionários e amigos diletos que cresceram e se tornaram exponenciais na profissão.

            Eu e ela, no decorrer de tantos anos juntos, vimos inúmeras coisas que temos várias e emocionantes histórias para contar. Mais de oito prefeitos foram por nós acompanhados! Falamos de sonhos, de objetivos, de conquistas, de futebol, do Linense. Ouvimos as queixas da população cobrando providências de nossas autoridades no sentido de termos uma Lins cada vez melhor. Acompanhamos momentos áureos da cidade, desde a eleição da Luluzinha (Maria Lúcia Alexandrino) como Mis São Paulo (1968) até o acesso do Clube Atlético Linense à elite do futebol paulista (2011). Vimos o surgimento do Grupo Garavelo, do Bertin, da JBS. Também nos divertimos muito acompanhando os inúmeros casos de surgimento dos discos-voadores em Lins (final da década de 60). Foram tantos acontecimentos, que juntinhos, vimos, documentámos e difundimos. Éramos tão unidos, qual carne e osso. Então, por que ela resolveu me abandonar?

            A iniciativa foi minha. Fui eu quem lhe disse adeus! E tudo em nome da atualização, da adequação à modernidade... Eis o porquê de meu choro. Quietinha, sem reclamar, deu seu derradeiro suspiro no último domingo, quando perdeu a energia que a sustentou até então.

Adeus, minha já saudosa AM! De você guardo doces lembranças de um amor eterno que, tenho certeza, será perpetuado em nossa nova filha; a FM!. Que ela seja tão vitoriosa quanto a mãe...

A VISITA...

Dias atrás, visitou-me o presidente da Câmara Municipal, Rogério Barros. Foi levar os cumprimentos do Legislativo linense à conquista da FM pela Rádio Alvorada. Em meio à rápida entrevista concedida, como não poderia deixar de ser, falou do crescimento da cidade, da inauguração de dois novos supermercados de porte até o final deste ano e da perspectiva de instalação em Lins de uma termoelétrica pela multinacional norte-americana General Eletric. Rogério informou que todas as providências legais foram e continuam sendo tomadas, particularmente junto ao governo federal. E é justamente deste que depende a autorização final para o empreendimento se tornar realidade. A área a ser cedida à GE são os 26 alqueires antes liberados para certa firma chinesa que ali iria montar uma fábrica de lâmpadas led. O negócio não deu certo e espera-se que a nova invectiva, agora pretendida, vingue de vez. Expressei minha apreensão quanto à possibilidade de mais um fracasso o que iria frustrar definitivamente a população e fazê-la desacreditar de vez em seus dirigentes políticos.

         O presidente da Câmara ponderou que toda administração pública, especialmente a do interior, vive de sonhos e expectativa. É preciso acreditar sempre, embora se corra o risco de insucesso. Rogério afirmou que, se isso ocorrer, o dirigente político não deve ter vergonha e mesmo medo de reconhecer sua falha ou erro, junto à sociedade. Nas palavras do legislador linense ¨a transparência e sinceridade em reconhecer seus erros e vitórias deve ser a principal característica de todo dirigente político.¨

         Seria esse discurso, embora sincero, o sinalizador de que estava eu frente a frente com um futuro e forte candidato a Prefeito de Lins? Tudo indicava que sim, não é?...

FOLHAS MORTAS

Não adianta, sou mesmo um incorrigível romântico! Coisa rara nos dias de hoje, não? Mas é o que me sustenta ao viver a dura realidade de nossos dias. Pequeninos gestos e coisas despertam em mim deliciosas lembranças. Foi o que me aconteceu semana passada. Limpava caixas com velhos livros quando me deparei com uma antiquíssima edição de O Pequeno Príncipe, de Antoine De Saint-Exupéry. Era uma brochura, já amarelada pelo tempo, denunciando sua primeira leitura nos anos de minha juventude. E a eles senti-me transportado especialmente quando, entre as páginas do livro, saltaram duas pétalas de rosa ressequidas pelo tempo. Passei delicadamente os dedos naquelas nervurinhas do vegetal que pareciam chamar-me à recordação de um tempo em que tudo eram sonhos e espectativa. Vi-me junto a certo alguém, jovem e até mais romântica que eu, trocando juras de amor eterno, selado com a promessa de guardarmos por toda vida aquele souvenir vegetal como prova de carinho. Era um amor puro e bobinho, tão próprio da juventude da década de 70, embalado pelo romantismo de filmes como Dr. Jivago e Sissi... Quem, como eu, viveu nesse tempo e não se apaixonou ao som do tema de Lara?...

            Velhos tempos que não voltam mais! Será que, nos dias de hoje, com internet, SMS, redes sociais, ainda há espaço para o romantismo? A comunicação amorosa entre duas pessoas, antes lenta calculada e pacienciosa, hoje se dá de imediato. Não há mais o doce jogo da conquista. O relacionamento entre os jovens começa no celular e termina na cama! Sexo, outrora uma prerrogativa apenas do casamento, hoje está fácil, comum e banalizado. Talvez por isso haja tanta desilusão, desencontro e até sofrimento. Não sou moralista, apenas um observador atento. Não prego a volta ao passado, apenas lembro que a tecnologia pode desenvolver-se extraordináriamente e assim mudar o mundo, mas o ser humano continua o mesmo em suas necessidades de amor, carinho e respeito.

            Ainda guardo as pétalas de rosa esmaecidas pelo tempo e com elas a esperança de que possamos voltar às nossas origens românticas. Eramos felizes e não sabíamos...

¨O TEMPO PASSA, TORCIDA BRASILEIRA¨...

Em meu programa de entretenimento no rádio, as vinhetas ganham especial destaque, pois são elas que dão brilho à programação e vida ao que o locutor diz. Ainda ontem, uma delas fez-me meditar. É a que traz o jargão esportivo das narrações do saudoso Fiori Gigliotti. Exclamava ele: ¨O tempo passa, torcida brasileira¨. De fato, tudo passa na vida e de maneira bem rápida. E, muitas vezes, não nos damos conta disso.

Se observarmos melhor veremos que em um ano passamos 120 dias dormindo. Será o dormir mais importante para nós? Passamos em média outros 120 dias trabalhando. Terá o trabalho sido o fator decisivo para a nossa vida ou foi ele o peso esmagador que nos deixou infelizes?

Passamos no ano, 30 dias comendo. Foi o comer que me deixou mais feliz? Num ano, entre o dormir, o trabalho e o comer gastamos 270 dias. E o resto? Ficou sem sentido? Como usei os restantes dias do ano?

Eu cheguei a uma conclusão. Tudo o que se faz é importante. Trabalhar, comer e dormir são necessários. Mas será aquilo que se faz fora isso que marca a nossa vida. O preenchimento do tempo das 6 horas que nos restam a cada dia é que dão sentido ao trabalhar, comer e dormir? Preenchemos essas horas com algo útil e construtivo ou as desperdiçamos jogando-as fora como se fossem lixo?

Seis horas por dia, num ano, somam quase 100 dias. Cem dias pra quê? Eu diria até que esses 100 dias decidem uma vida mais feliz ou infeliz. Quanto desse tempo a gente dedicou à leitura, ao estudo, ao conhecimento de pessoas, à visita aos conhecidos, à escuta de gente problemática, enfim à convivência com quem a gente vive e gosta?

Lembre-se disso, toda vez que eventualmente escutar ¨O tempo passa, torcida brasileira!¨. De fato passa, mas quando bem aproveitado, nos deixa felizes e realizados...

NOVA FM ALVORADA

Estamos na reta final para a instalação definitiva da Rádio Alvorada FM. Todos os trâmites legais exigidos e cumpridos, autorização de funcionamento concedida pelo governo federal, impostos e taxas pagos. Com a instalação da torre autoportante (75 metros), com a devida antena de transmissão no terreno nos fundos da Rádio Alvorada, na Olavo Bilac, cabe a pergunta: por que ainda não entrou no ar? É o que ouço todos os dias de comerciantes e ouvintes, o que expressa a expectativa e o carinho para com a chamada Emissora do Povo.

            O que está pegando é o atraso na entrega dos novos transmissores, mesa de som e móveis próprios para o estúdio de locução. A demanda está aquecida (mais de mil migrações da AM para a FM, nos diferentes Estados brasileiros) fez com que os fabricantes de equipamentos fossem pegos no contrapé não dando conta da entrega de tantos pedidos em pouco prazo. Nossos transmissores e mesa de som foram comprados e pagos à vista em Abril, com a previsão de entrega em 60 dias. Foi preciso muita choradeira e até reza brava, para que os equipamentos nos sejam entregues até o final desde mês. Isto nos faz prever o funcionamento da Alvorada FM para meados de Outubro próximo, isso se tudo correr conforme o desejado. É um excelente exercício de paciência do qual não podemos nos furtar,,,

            E a programação, como será? Esta é também uma das perguntas que mais me é feita diariamente. Manteremos a principal característica da Alvorada, ou seja, seremos uma rádio para a cidade e seu povo. Nossa programação será prioritariamente voltada para Lins, nossa microrregião e sua gente. Julgamos que o sucesso de uma programação radiofônica esteja diretamente ligado às características, anseios e preferências de quem a ouve. De que adianta fazer uma programação semelhante a das emissoras da capital e ou de grandes cidades, se não se atinge o público alvo local? Trabalharemos para a maioria e esperamos pela audiência de todos. Não descuidaremos dos noticiários locais e regionais, do futebol (C. A. Linense), das festas e tradições linenses. Enfim, pretendemos continuar uma rádio com a cara do povo a quem servimos...

FILOSOFANDO...

O papo surgiu na sala de espera de um consultório. Após o atendimento e enquanto aguardava a chegada da condução que me levaria para casa (estava demorando), outra paciente, talvez também entediada por esperar pelo atendimento, puxou conversa mostrando-se abismada com a dinheirama (mais de 51 milhões de reais) encontrada num apartamento em Salvador (BA) e que, segundo a polícia federal, pertencia ao político Gedel Vieira Lima, presumivelmente fruto de corrupção. Espantada, a moça filosofou: ¨Pra quê? Será que Gedel não tem noção de que um dia morrerá e deixará todas as riquezas e bens terrenos que venha a amealhar? Deve arder no inferno indo direto para os braços do capeta!...¨ Provoquei: ¨Mas será que céu e inferno existem?¨

            Arregalando os olhos, retorquiu: ¨Ah, existe uma lei na base do bate-volta, ou seja, o que se faz, se paga!.¨ Continuei: ¨Então, ele vai voltar a viver entre nós? Deus nos livre!¨ Rindo, a paciente completou: ¨Não sei, mas se você observar bem, verá que tudo que se faz se paga e tudo o que se planta, se colhe. É uma lei universal. Se ele vai voltar para a Terra ou arder no inferno, só o tempo dirá.¨ Continuei provocando: ¨Não acredito em céu e inferno. Acredito na lei do Amor e do Desamor. Ao morrermos, se tivermos culpa no cartório, iremos sentir em toda sua plenitude o Desamor de Deus para conosco. E você quer pior inferno que isso? Não precisamos de fogo, capeta, ranger dos dentes, pois abdicarmos egoisticamente da vida no Amor do Pai, castigo maior não há¨.

            Já minha amiga, sem que tivéssemos trocado sequer nossos nomes, interessada, informou que fazia Teosofia e que meu pensamento combinava com o de Santo Agostinho, o africano que se converteu aos quarenta anos e foi um dos luminares da Igreja. Talvez haja coincidência entre o pensar dele e o meu, mas isso me veio instintivamente, do fundo de minha alma e me conduz pela vida até hoje. Se bate com o de Agostinho, tanto melhor.

            A conversa iria se espichar, mas minha condução chegou e lá fui eu pra casa, lamentando não poder dar continuidade a tão gostoso papo. No entanto, foi proveitoso e com ele muito aprendi.

            Papo de consultório também é cultura, não é?...  

WHATSAPP...

Talvez eu tenha parado no tempo, seja quadrado, alienado à moderna tecnologia, mas a verdade é que nunca tive um celular e nem pretendo ter. Não que não saiba usá-lo, pois não há muita dificuldade em fazê-lo funcionar. É uma ferramenta útil especialmente para nós da comunicação. Dispenso o celular simplesmente por medo de mim! Explico melhor: sua tecnologia é tanta que pode me fazer viciar, alienar e desligar da vida real. Isso foi observado pela minha amiga e terapeuta Amanda Dreher que, num E-mail indignado, narra o comportamento de um casal amigo quando por ela visitado: ¨Estava sentada no sofá amarelo claro, na sala da casa daquele casal querido, e conversando, porque fazia dois meses que eu não ia a casa deles. Então, quando me dei por conta, ambos passaram a olhar e interagir com o... celular… Simples assim… Quando percebi isso, comecei a contar. Passaram-se exatos 3 minutos e 25 segundos em que eles ficaram totalmente concentrados no celular, esquecidos completamente da minha presença real, física, de verdade mesmo… E aí me perguntei: o que seria tão importante para trocar uma pessoa real pelo celular? Era para acessar os grupos familiares do WhatsApp e ver o que os outros estavam fazendo… Nada necessário, relevante ou útil... ¨.

  A observação de Amanda levou-me a outros questionamentos: Quantas vezes trocamos o mundo real pelo virtual? Quantas vezes tornamos os grupos de WhatsApp mais importantes que as pessoas reais ao nosso redor? Quantas vezes sobrecarregamos a nossa mente com mais e mais informação, quando na verdade tudo o que ela quer são alguns minutos de silêncio interior? Acessando o celular, sem controle, preferimos viver ausentes que presentes...

 Estes são exemplos radicais, mas reais, que nos levam a crer que o uso contínuo e descontrolado dessa moderna tecnologia pode levar à formação de toda uma geração de alienados. Se não houver um controle disciplinado quanto ao acesso ao WhatsApp e às redes sociais corremos o risco de sabermos mais dos outros que de nós próprios, sem a preocupação de resolver os problemas quer de um ou de outro. Seremos mais virtuais que reais...

MÃO DE FADA...

Ufa, como era dura minha vida em Sampa. Trabalhava no Estadão, bem no Centro, e morava num minúsculo apartamento, daqueles em que o sol pede licença para entrar. Todos os dias úteis da semana, a mesma rotina: trabalhava o dia todo, saía as 17,30 e tomava o ônibus das 18, rumo a Carapicuíba. Era um misere danado! Horário do rush! Parecia que toda a população de São Paulo se dirigia aos mais variados pontos de ônibus em busca de seus lares. E lá estava eu, enfiado, espremido e enlatado num coletivo atochado de trabalhadores. Eram corpos que se comprimiam buscando um pouco de espaço. Ninguém se falava e todos se viravam como podiam. Sorte tinham os que conseguiam se sentar nos bancos da condução. Esse era um privilégio do qual nunca usufrui!  Não me queixava, apenas lamentava intimamente de sermos todos passageiros da agonia, como no filme. Que poesia poderia haver num ambiente desses?

            Talvez nenhuma, mas naquela sexta-feira, a coisa foi diferente. Em pé, comprimido por corpos suarentos como o meu, divisei bancos à frente, uma linda mão de mulher que se movia rapidamente sobre o teclado de um minúsculo celular. Tinha ritmo, parecendo ser a de uma virtuose ao piano. Mão clara, dedos finos e ágeis desfiava um sem número de teclas como que a escrever para certo alguém. Seria para o namorado? Ou para o amante? Não! Ao menos eu não queria que assim fosse. Estragaria toda a poesia daqueles doces momentos...

            E lá seguia eu fascinado por aquela mão feminina. Imaginava tendo-a entre as minhas ou acariciando meu rosto com ternura. Fui me apaixonando e cada vez mais ansioso por conhecer a dona daquela mão. O ônibus seguia e aos poucos foi se esvaziando. Chegou minha vez de descer, mas como a dona da mão que me enfeitiçara ainda persistia teclando seu celular, resolvi seguir em frente para quem sabe conseguir  vê-la ao descer do ônibus. Mas o destino não quis assim! Finalmente, o coletivo parou no ponto em que ela desceria, mas quando se levantou para descer, um número bastante grande de pessoas adentrou ao veículo fazendo com que eu a perdesse de vista. Vislumbrei apenas sua silhueta. E lá seguiu o ônibus até seu ponto final onde paguei pela viagem de volta e fiquei a sonhar de quem seria aquela mão de fada, rezando para tornar a vê-la na semana seguinte. Assim esperava acontecesse...

TER OU SER?...

Será que existem pessoas vazias? Sim, muitas. Conheço gente assim, isto é, que tem tudo o que é necessário na vida, mas sente um enorme vazio por dentro. Outro dia, visitando certa pessoa, um amigo bem sucedido economicamente, pude ver o conforto físico de que é cercado: possui uma casa bem localizada na cidade, com vários televisores, sofás da moda, bebidas sofisticadas, eletrodomésticos de todos os tipos e por aí vai. Foi bebericando um legítimo uísque escocês, que me segredou, filosofando tristemente: ¨De que vale esta casa grande e confortável se minha vida é pequena? De que vale me sentar num sofá macio, se meu coração não tem onde repousar? De que vale poder escutar músicas no som mais puro do mundo, se meus ouvidos não recebem palavras sinceras de segurança e conforto? De que vale todo este conforto que me rodeia, se meu espírito não tem a chamada tranquilidade? ¨.

            Confesso que pensei que aquela explosão de queixas e mais queixas fosse fruto da bebida, já que estávamos na terceira dose do Chivas. Mas não, ele estava sendo sincero e buscava uma resposta para o imenso vazio espiritual que sentia. Estava ali à minha frente alguém que só pensou no ter e pouco ligou em ser. Era mais uma vítima do capitalismo desenfreado em que ser feliz é somente possuir bens materiais, ter posses. Esta é uma armadilha que prende e escraviza muita gente, que não se dá conta de que a verdadeira felicidade está em enchermos nossos corações de valores que nos confortem e nos façam felizes. Os bens materiais não resistem ao tempo que os come e destrói. O que sobra nesta nossa existência são somente os bens espirituais que amealhamos com muito esforço e dedicação.

            Tive dó daquele amigo rico e tremendamente pobre. Fiquei a imaginar se ele seria suficientemente forte para resistir a um eventual fracasso econômico. No que iria se apegar? Na verdade iria se sentir vazio de tudo: de saúde, de trabalho, de bens materiais, de amigos talvez. Daí ao desespero e à depressão...

            Não sou bom conselheiro, mas naquele dia tive que sê-lo. Sugeri que saísse de si, que buscasse ser útil a quem necessitasse através de um trabalho social, que buscasse respostas junto a Deus, que passasse a observar o sorriso puro das crianças, a beleza da natureza e, sobretudo, aprendesse a ser simples e desprendido como os que realmente sabem bem viver...

VAMOS RIR MAIS?...

Hoje em dia, especialmente no Brasil, está difícil sorrir. É crise pra todo lado: na política, na economia, no relacionamento entre as pessoas e por aí vai. Mesmo assim é imprescindível sorrir, pois nunca se precisou tanto disso quanto agora. Faço a minha parte. Todos os dias posto no Facebook uma piadinha para animar meus quase cinco mil seguidores. E não pensem que não tenho problemas e que assim ajo por estar com a vida mansa! Tudo é uma questão de ponto de vista. Talvez assim me comporte por sempre me perguntar: por que não rir de meus próprios problemas? Por que não rir de meus erros e fracassos? Será que rir de si mesmo é sinônimo de idiotice?

Há os que trocam os sorrisos por lágrimas. Isso acontece porque ainda não descobriram que um sorriso franco ou uma gargalhada bem gostosa vale mais que cem lágrimas. Quantas pessoas são incapazes de rir! Conseguem passar o dia todo sem um sorriso sequer. Para elas, um recadinho: quem se leva a sério demais e por causa disso se esqueceu de como sorrir, é alguém que irá morrer muito pobre espiritualmente. Rico é aquele que sabe distribuir, gratuitamente, sorrisos e gargalhadas. Sorrisos e gargalhadas que são fruto da serenidade permanente perante os fatos, perante a si e perante as pessoas com quem se convive. Por que não rir dos próprios problemas? É uma besteira não fazer isso por achar-se importante. Não se tome a sério demais...

O mundo está se tornando um palco onde só se representam tragédias e dramas de terror. Os programas de maior audiência na TV são os que tratam exatamente de temas escabrosos. Vide o Brasil Urgente e o Cidade Alerta. Patrocínio não lhes falta porque divulgam o que o povo quer, ou seja, saber das desgraças e tragédias dos outros... É hora de termos programas que façam rir, comédias que divirtam sadiamente os telespectadores. Como eu gostaria de ser um ator nesse tipo de programa! E você pode me acompanhar. Basta reaprender a sorrir...

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