Estamos em plena terça-feira do Carnaval da crise. Dinheiro curto, gasto contido, mas não sem a alegria. Como é grande a capacidade do povo em adaptar-se às diversas situações e a tudo improvisar. Em Lins, a Casa da Cultura abrigou os foliões com desfiles internos de Escola de Samba e de inúmeros blocos. Estes, por sinal, vêm ganhando espaço nos últimos tempos. Parece que se acordou para o fato de que, especialmente no Rio e em São Paulo, o desfile das Escolas de Samba de há muito se tornou um empreendimento meramente comercial, disfarçado em pompas, poses e alegrias plastificadas. Artistas, famosos ou não, aderiram às Escolas recebendo altos cachês para isso. E o povo? A ele cabe tão somente pagar e espremer-se nas arquibancadas dos sambódromos, sendo mais espectador que participante. Pode-se chamar isso de festa do povo?

            No entanto, como diz o velho ditado, há males que vêm para bem. Especialmente a juventude está preferindo curtir os folguedos de Momo em outros grandes centros, onde o Carnaval é verdadeiramente feito para a maioria. Haja vista a grande procura pelo Carnaval baiano e pernambucano. Lá, os chamados trios elétricos arrastam verdadeiras multidões numa explosão de alegria pura e genuína. Os inúmeros e grandiosos blocos, com seus abadás, trazem também mensagens da chamada alma do povo.

Aos poucos, o retorno às origens carnavalescas volta com total e avassaladora força. Contam nossos pais e avós que, no tempo deles, havia os chamados entrudos (expressão herdada de Portugal). Eles eram tão somente um improvisado bloco de foliões que adentrava em fila no meio da multidão lançando confetes e serpentinas além do uso do hoje proibido lança-perfume.

Em Lins, nos idos das décadas de 50 e 60, o Carnaval de rua tinha como principal atração a Escola de Samba do Paíca, com sua forte batucada, não faltando as chamadas ¨onças¨. Elas eram polpudas mulatas e negras, contratadas com o dinheiro dado ao Paíca pelos ricaços da época e trazidas de Sampa. Usavam poucas roupas e, em sua maioria, enrolavam-se em peças que lembravam peles de onça. Daí o apelido. Findo o desfile formava-se o corso, que consistia num imenso desfile de carros, embora estes fossem em número bem menor que hoje. Símbolo de status e riqueza, os familiares do afortunado motorista se aboletavam nas viaturas, lançando serpentinas por todo o trajeto. Blocos se formavam nos Clubes Linense e Comercial, mas não saiam às ruas, restringindo-se tão somente aos salões. Também a Associação Esportiva Linense, chamada de Clube dos Japoneses, hoje Abcel, realizava bailes e matines durante o Carnaval. Os bailes do Country Clube surgiram somente na década de 70...

Estas, em síntese, rápidas pinceladas sobre os festejos de Momo em nossa cidade. Curta a seu modo e gosto estes dias de descontração e folia.

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