Zuleika Pastorello Tavares foi alguém que por muitos anos viveu em Lins e que, gostando de escrever, deixou crônicas e poemas que retratam uma alma pura e poética, narrando fatos por ela vividos e sentidos desde pouco antes da metade do século passado para cá. Zuleika faleceu em novembro de 2016. Sua filha, Vanessa, reuniu os escritos num livro (Retalhos da Vida, Bazar Editorial). Dele, extrai trechos da narrativa de uma viagem de trem que a autora fez quando criança, com seus pais. Era o tempo da Maria Fumaça, com sua locomotiva tocada a vapor. Os que também viveram aquela época irão recordar e os mais jovens conhecer como era o transporte de massa naqueles saudosos tempos.

            ¨ Nada era mais prazeroso do que as viagens de trem que a nossa família fazia, à casa de meus avós paternos... o Nonno e Nonna. O trem era na época o único meio de transporte coletivo à longa distância em uso, sendo assim, a correria era grande para se pegar um bom lugar e começava no momento em que os trens encostavam-se à estação. Papai atento, com as sacolas nas mãos, jogava a bagagem pela janela para segurar lugar nos bancos, enquanto mamãe, agarrava nossas mãos para não sermos atropelados por algum transeunte em meio à correria. Os trens, bem mais largos eram muito limpinhos e confortáveis e para os que tinham posses, os carros leitos possuíam até certo luxo; como lençóis de linho, bordados com o monograma da Companhia Paulista de Estrada de Ferro e que na realidade era inglesa, naquela época. Todos queriam as janelinhas, onde por elas apreciavam melhor a paisagem; um riacho, a mata densa, campos verdinhos, animais pastando...¨, relata Zuleika.

              A escritora fala ainda dos garçons ¨de jalecos e bibi brancos, que passavam e repassavam os vagões com suas bandejas repletas de cheirosos pastéis, sanduíches de mortadela ou de garrafas de refrigerantes e pilhas de copos. ¨Às vezes, quando o dinheiro não estava muito curto, papai optava pelo almoço do trem, o ¨prato feito¨ que vinha servido em prato fundo, coberto por outro prato fundo e muitíssimo bem amarrado por alvo guardanapo de tecido engomado, prendendo junto os talheres¨.

              Para a então menina Zuleika, tudo era novidade e encantamento. Recorda-se de cada parada do trem, das estações padronizadas ao estilo inglês, das casas sempre iguais do Chefe da Estação.  Diz ainda do povo que se juntava a cada gare para ver o trem chegar e partir o que era sempre momento de alegria e prazer para todos.

            Saudosa e emocionada, Zuleika conclui: ¨Cenas e momentos maravilhosos, guardados com tanta emoção, com tanto carinho, muitas vezes apagados no tempo, mas, que a qualquer instante, surgem vibrantes na memória e no coração.¨

 E foi exatamente o que me aconteceu! Obrigado Vanessa por eternizar em livro tão preciosas lembranças de sua mãezinha! Recordações queridas e comuns a muitos que também viveram essa época e iguais emoções. O livro de Zuleika você encontra nas Livrarias Curitiba (www.livrariascuritiba.com.br)...

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