Basta você ver o noticiário na TV ou abrir um jornal, seja ele qual for, para deparar com um desfile sem fim de notícias tristes e amargas que nos fazem duvidar do ser humano. Só se lê sobre corrupção, maus políticos, assassinatos, roubos, guerras e por aí vai. Vez ou outra, no entanto, é relatado um acontecimento que nos faz voltar a crer no Bem e na grandeza dos bons sentimentos. São fatos simples, como o que passo a relatar. O acontecido se deu há poucos dias em nossa cidade é real e envolve pessoas que, creio, gostariam fosse preservada sua privacidade. Adoto nomes e local fictícios em respeito aos protagonistas, talvez adeptos da máxima cristã que diz: ¨o que a mão direita faz, a outra não precisa ficar sabendo¨.

                Tudo aconteceu numa tarde quente, na Cidade das Escolas. Seu Alípio, septuagenário e solitário, se apegava ao casal de cães fox paulistinha que o fazia ainda crer na vida e ter dela alguma alegria. Na semana anterior havia perdido Xuxa, a fêmea. Restava-lhe tão somente o Pitoco, cãozinho alegre, brincalhão, invocado e zabereta, cujo único defeito era fugir de casa e ganhar a rua movimentada do bairro de seu dono. E foi numa dessas escapadas que tudo aconteceu. Em seu carro, Carlos descia a rua a 40 quilômetros por hora quando inadvertidamente Pitoco sai de casa em desabalada carreira. Seu Alípio chegou a gritar com o animal, mas não deu tempo. Carlos atropelou e matou Pitoco, parando o carro em seguida. Desceu e pode ver a expressão de desespero que o velho assumiu. Vieram as lágrimas de ambos os lados. O septuagenário tomou o animal em seus braços lamentando baixinho: ¨Na semana passada a Xuxa se foi e hoje você, Pitoco! Como vou ficar agora? Sozinho, sem ninguém?¨. A cena era comovente.

Carlos tentou consolar o ancião prometendo-lhe outro cachorro.  Chegou propor-lhe irem juntos a uma loja que vende animais para a escolha de um filhote. Seu Alípio manteve-se relutante, preferindo curtir sozinho sua dor. Os dias se passaram e Carlos começou a visitar o idoso. Aos poucos, foi convencendo-o a criar outro animalzinho que viesse a substituir as perdas de Xuxa e Pitoco. Duas semanas de passaram e, numa das visitas de Carlos, seu Alípio concordou em receber um novo cãozinho, desde que da mesma raça do falecido. Carlos contou a história aos seus amigos e uma alma boa e sensível se condoeu e arrumou um filhote de Fox Paulistinha que foi doado imediatamente ao velho. Foto foi tirada e postada no Facebook, com toda pompa e glória. A expressão de alegria de Seu Alípio parecida transparecer um recomeço à vida. O coração de Carlos, finalmente sossegou...

Eis aí toda a história real de solidariedade e sensibilidade aos sentimentos de nosso semelhante. São fatos assim, embora simples e pouco comuns, que nos compensam de tantas mazelas e notícias ruins que parecem dominar a vida do homem moderno.

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