Quando se chega à Terceira Idade parece que as recordações fervilham. Uns as guardam para si, outros as contam mil vezes aos parentes e amigos sem se darem conta disso. Com a modernidade, porém, outros tantos criam seus blogs retratando neles todo o mundo de experiências pelas quais passaram. É o caso do João José Fogolin, linense nato e hoje morador de Agudos, onde é pequeno empresário. Dias desses tive a grata surpresa de acessar seu blog  (https://www.facebook.com/jjfogollin/?fref=ts), onde narra fatos de sua juventude aqui vividos. Destaco um deles:

JOÃOZINHO I – TABULEIRO DE DOCES

Desde pequeno sempre fui, digamos um pouco rebelde, familiarizando- me bem com as piadas do Joãozinho. Morava em uma chácara, em frente à Igreja NS Fátima em Lins e estudava no SESI, no centro da cidade. Que saudade da aventura diária com os colegas Deusdedite Favarão, Jorge, Jarbas (Jereba) e tantos outros que a memória agora não ajuda mais. Naqueles tempos a palavra era o bastante para qualquer acordo com os homens de bem, o chamado fio de bigode. Minha saudosa mãe como sempre apertou meu pai, não dê dinheiro ao Nenê (era meu apelido) porque ele está comendo muito doce e não esta almoçando direito. Pronto, ordem dada, ordem executada. Meu pai passou no doceiro que ficava na calçada do Bar Triangulo na Vila Junqueira e pediu para ele não vender mais doce para mim antes do almoço. Não sabendo da história cheguei com a turma antes do almoço e pedi um doce, é claro que não fui atendido, dei uma volta e pedi para o Jorge pegar, e o doceiro desconfiado também não vendeu. Atitude impensável nos dias de hoje, vendem até a maldita droga.

O tabuleiro de doce ficava embaixo de uma arvore, na calçada alta cerca de 60 cm da rua, o que facilitava o acesso para a charrete-taxi daquele ponto.

Em frente tinha uma lenhadora, onde consegui um barbante, a arma do crime. Amarrei barbante no pé do tabuleiro e no para lama da charrete, e subimos ao alto do monte de lenha para apreciar o espetáculo. Não deu outra: chegou uma senhora, acomodou-se na charrete e, ao balançar o chocalho o animal, saiu rapidamente espalhando doce por toda a rua. Risos de satisfação e com a alma lavada fui para casa cerca de 20 minutos dali. Naquele tempo não tínhamos telefone e não sei como minha família já estava sabendo do acontecido e todos na porta à minha espera.

Meu pai disse o seguinte: foi você? Querendo justificar minha atitude, ele não esperou eu terminar e disse: vá buscar a cinta para apanhar. E não podia trazer a mais leve, se não era com a fivela.

Pedir desculpas ao doceiro e pagar todo o prejuízo com minha mesada foi o pior. Imagino se a lei das palmadas não existisse, hoje eu estaria em Catanduvas.

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