Elas chegam de mansinho, sem avisar. Basta um pequenino fato para que venham à nossa mente ideias e lembranças que acreditávamos sepultadas por todo o sempre. Dias atrás, a meditação e o aprendizado me pegaram de jeito exatamente quando eu descansava à sombra de um velho pé de ipê, em frente à minha casa. Vivera um dia extenuante, complicado, cheio de contrariedades e procurava esvaziar a mente de todos e quaisquer pensamentos negativos, que insistiam em pôr-me pra baixo. Foi quando me dei conta de observar um dos fenômenos mais comuns e próprios do outono/inverno, que ora vivenciamos.

         Como que numa sinfonia silenciosa, as folhas da árvore caiam incessantemente tomando totalmente a calçada abaixo de sua frondosa copa. Um verdadeiro tapete de folhas grandes, pequenas, em sua maioria amareladas, se estendia aos meus pés. Isto bastou para que fosse acionado o mecanismo da sensibilidade e observação. Percebi que nossas vidas são como as folhas daquele velho pé de ipê! Depois de exibir um verde intenso, cheias de viço, o passar do tempo e a força da natureza-mãe fazem com que as folhas percam a cor, sequem, se enrolem e caiam. Tudo isso para dar vida a uma nova folhagem no início da primavera.

         Também somos assim. Tudo tem seu tempo e hora. Saber reconhecer o momento de parar, de ser substituído pelos mais jovens, de aceitar com resignação e galhardia as limitações que a vida nos impõe é como que imitar as velhas folhas que caem de uma árvore, de forma silente, inexorável e constante. Naquela tarde, as velhas folhas caídas do ipê me levaram às lágrimas proporcionando-me uma doce e inexplicável paz,na certeza do dever cumprido por toda uma existência de sonhos e realizações... 

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