Não adianta, sou mesmo um incorrigível romântico! Coisa rara nos dias de hoje, não? Mas é o que me sustenta ao viver a dura realidade de nossos dias. Pequeninos gestos e coisas despertam em mim deliciosas lembranças. Foi o que me aconteceu semana passada. Limpava caixas com velhos livros quando me deparei com uma antiquíssima edição de O Pequeno Príncipe, de Antoine De Saint-Exupéry. Era uma brochura, já amarelada pelo tempo, denunciando sua primeira leitura nos anos de minha juventude. E a eles senti-me transportado especialmente quando, entre as páginas do livro, saltaram duas pétalas de rosa ressequidas pelo tempo. Passei delicadamente os dedos naquelas nervurinhas do vegetal que pareciam chamar-me à recordação de um tempo em que tudo eram sonhos e espectativa. Vi-me junto a certo alguém, jovem e até mais romântica que eu, trocando juras de amor eterno, selado com a promessa de guardarmos por toda vida aquele souvenir vegetal como prova de carinho. Era um amor puro e bobinho, tão próprio da juventude da década de 70, embalado pelo romantismo de filmes como Dr. Jivago e Sissi... Quem, como eu, viveu nesse tempo e não se apaixonou ao som do tema de Lara?...

            Velhos tempos que não voltam mais! Será que, nos dias de hoje, com internet, SMS, redes sociais, ainda há espaço para o romantismo? A comunicação amorosa entre duas pessoas, antes lenta calculada e pacienciosa, hoje se dá de imediato. Não há mais o doce jogo da conquista. O relacionamento entre os jovens começa no celular e termina na cama! Sexo, outrora uma prerrogativa apenas do casamento, hoje está fácil, comum e banalizado. Talvez por isso haja tanta desilusão, desencontro e até sofrimento. Não sou moralista, apenas um observador atento. Não prego a volta ao passado, apenas lembro que a tecnologia pode desenvolver-se extraordináriamente e assim mudar o mundo, mas o ser humano continua o mesmo em suas necessidades de amor, carinho e respeito.

            Ainda guardo as pétalas de rosa esmaecidas pelo tempo e com elas a esperança de que possamos voltar às nossas origens românticas. Eramos felizes e não sabíamos...

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