Cilmar Machado

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O radialista Cilmar Machado escreve toda terça-feira neste espaço. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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PÔR A CULPA NO OUTRO...

            Neste mês em que comemoramos o Natal, continuo minhas observações. Somos falhos, é bem verdade, mas voltados para a vida e a felicidade.

            Tem gente que sofre por si mesma, mas que prefere pôr a culpa no outro pelo seu insucesso ou infelicidade. Há muitos que se julgam infelizes porque foi o mundo que quis assim, foi a vida e até Deus quem assim desejou. Ao agir dessa forma, a pessoa busca a melhor maneira para enganar a si mesma. Ninguém é culpado a não ser quem assim vive e pensa. Nunca os outros e mesmo o mundo serão solução para os problemas de quem quer que seja. Nada pode ser a solução ou tudo pode ser o caminho da felicidade, na medida em que aceitarmos a verdade como ela realmente é.

            Quando alguém insiste em dizer que o mundo é ruim, muita coisa má ou errada está dentro do coração dessa pessoa. Quando alguém acredita que não dá para confiar em ninguém e que todos são ruins, no coração desse alguém já existe muito pouco de bondade e de amor. Quando alguém diz que Deus a abandonou é porque de há muito essa pessoa já abandonou a Deus. É fácil atirar a culpa nos outros. Sou infeliz por causa de minha mãe, pai, esposo e por aí segue a lista de lamentações. É fácil buscar uma desculpa no mundo que nos rodeia. O difícil é enfrentar a realidade e a verdade.

            Buscar a própria felicidade é como buscar a saúde. A solução para chegarmos a ela está em nós mesmos. Está em aceitarmos os outros, o mundo, Deus e a vida como são e abrirmo-nos para tudo e para todos. Para a conquista da verdadeira felicidade devemos buscá-la em nós. Amargamos anos de profunda tristeza e infelicidade sem nos apercebermos que a solução de nossos problemas de relacionamento está verdadeiramente em nós. Que este Natal seja o início da retomada da felicidade que tanto buscamos e que nos tornemos conscientes de que para consegui-la dependemos exclusivamente de nós...

ESTAR A SERVIÇO...

Embora pareça ser um tanto desligado, sempre fui atento observador das pessoas e das coisas que as cercam. E tenho constatado que, não importando a idade, todos nós queremos ser bem aceitos na família, no grupo, na profissão e na sociedade. Toda pessoa sente que é necessário sentir-se bem acolhida. Até os animais precisam disso. Mesmo eles sentem que precisam ser bem acolhidos. Imagine então o ser humano.

            O que deve fazer um rapaz para sentir-se bem acolhido pela família? O que deve fazer a mãe para sentir-se bem em sua família, em sua tarefa de mãe? O que deve fazer um professor para ser bem aceito pela turma de alunos? São perguntas que constantemente nos fazemos e que se acentuam nesta época de Natal, a festa cristã que cultua a paz e o bom relacionamento entre os seres humanos. Será que existe uma fórmula para se bem relacionar?

            Existe sim um segredo, aliás, muito antigo e sempre atual. Ele é possível para todo ser humano, mas ao mesmo tempo muito difícil e pouco colocado em prática. Quem quiser ser bem acolhido, bem recebido em qualquer situação e ambiente (família, escola, trabalho e sociedade), deve colocar-se a serviço. Veja bem: ¨colocar-se a serviço¨. É só isso, nada mais. No entanto, exige tudo, exige AMOR.

O marido que ajuda a mulher a lavar a louça, está colocando-se a serviço. O professor que dá tudo de si para que os alunos aprendam, está colocando-se a serviço. Toda pessoa que se esquece de si, de seu egoísmo e que vai além do que é seu dever, está colocando-se a serviço. Quem se coloca a serviço, que está sempre a serviço dos outros, é uma pessoa que se sente bem e que sempre tem o que fazer. A solidão que castiga muita gente provém da pessoa não se colocar a serviço do outro.

Está aí uma sugestão que não é minha e não é de nenhum de nós, mas de Cristo que se colocou integralmente a serviço da humanidade. Não seria esta uma das lições que o Natal nos ensina e cobra?...

ESPÍRITO NATALINO...

Sabe aqueles dias em que você se sente pequenino, ínfimo, arrasado? Não sei se foi o cansaço advindo do passar dos anos ou as condições atmosféricas em mais um dia extremamente ensolarado, quente e abafado, mas a verdade é que, no último feriado, senti-me envolvido num torvelinho depressivo até então desconhecido por mim. Sem que desse conta, pareceu-me estar ante o tribunal divino que me fez ver claramente minha pequenez ante a vida. Ficou-me claro que dela mais usufrui que produzi. Foi nesse momento que o sinal de alerta acendeu sua luzinha vermelha acenando-me a possibilidade de instalação de uma terrível deprê. Depressivo, eu? Tô fora! Xô, Satanás. Reagi buscando amparo na oração, o que, aliás, faço diariamente. Mas nesse dia foi diferente.

            Logo ao começar a orar uma agradável sensação de acolhida e paz tomou conta de mim. Era como se uma plêiade de almas boas me envolvesse e me fizesse ver que somos realmente pequeninos ante a grandiosidade da vida, mas grandes pelo fato de sermos filhos de Deus. Parecia estar me dizendo que somos todos peregrinos, seres espirituais numa experiência terrena e não o inverso. Ao Pai, que a tudo criou e pode, o que importa não é a contabilidade de nossas faltas e sim a constância de nossos esforços visando acertar, corrigir, melhorar, aperfeiçoar e crescer...

            Terminei minhas orações de alma lavada e renovada. Senti uma paz intensa que perdurou por vários dias. Pude experimentar precocemente o verdadeiro espírito natalino e driblar uma indesejada depressão. Esse foi o melhor presente de Natal que recebi de Deus. Veio antecipado. Precisei reconhecer minha pequenez ante os desafios humanos para experimentar em parte a grandiosidade da vida futura que o Senhor me reserva. Convido você para viver igual experiência. Basta abrir seu coração com humildade, fé e esperança. Afinal, o Natal está bem próximo...

BALANÇO GERAL...

Os fatos se sucedem rápida e simultaneamente em nossa cidade e, às vezes, é bom fazer-se uma espécie de balanço geral para ordená-los e mesmo entendê-los melhor. Vamos a ele:

            PRAÇA DOM BOSCO: Finalmente tudo indica que a prometida e tão propalada reforma da Praça Dom Bosco se tornará realidade. No próximo dia 21, na Prefeitura, haverá a abertura das propostas das empresas interessadas em executar a citada reforma, no entorno na Igreja. A verba, já liberada, é de pouco mais de 296 mil reais. As atuais pedras portuguesas serão substituídas por bloquetes que as imitam e será construído estacionamento de 45 graus em toda área útil da Praça. Há apenas um senão no projeto: o que fazer com a fonte luminosa, de há muito desativada. Será demolida, recuperada ou substituída por outra coisa? Edgar ainda não se pronunciou a respeito e o povo cobra dele uma solução.

            SANEAMENTO DA FPTE (a chamada Engenharia): Por determinação da Justiça, o coronel da reserva do Exército, Ornando Bassani Filho vem negociando com pulso firme a vultuosa dívida da Instituição para com os Bancos (20 milhões de reais) e 2,5 milhões a fornecedores. Tem tomado medidas drásticas e necessárias no que é acompanhado pelos professores e funcionários da entidade que somados chegam a ser em número de 432. De comum acordo, todos estão trabalhando com uma folha de pagamento atrasada, medida economicamente inevitável, segundo o coronel. As coisas caminham gradativamente para a recuperação financeira da FPTE e há eleição de nova Diretoria, marcada para 9 de Dezembro, quando deverá terminar a intervenção judicial. ¨Acredito que deixarei um caminho que poderá ser seguido, se a nova direção achar adequado. Essa é a minha missão: deixar um caminho objetivo¨, revelou modestamente Ornando.

            UNIÃO ENTREGA POSTO DO MT AO MUNICÍPIO: O município teve que assumir a Agência Regional do Trabalho e Emprego de Lins, pois se assim não o fizesse, a União iria fechar o posto e os linenses, se quisessem, teriam que procurar pelos postos das cidades de Marília ou Bauru. Mais um ¨presentinho¨ que o governo federal nos dá. Tudo em nome da contenção de despesas! Será que o Município também não passa por aperto financeiro?

            VIAGENS DO PREFEITO: O prefeito visitou recentemente o Japão e a China, a convite daqueles países. Falou com governantes e empresários e vendeu as vantagens em investirem em Lins. Não nos assustemos se, em breve período de tempo, começarmos a ser visitados por delegações de ambos países. Isso já aconteceu em nossa cidade nas décadas de 70 e 80. As delegações vinham e eram recebidas com muita festa e expectativa, nada mais. Tomara isso não se repita.

            ARQUIBANCADA DO LINENSE: Tudo depende da Caixa Federal chamar o prefeito para assinar o contrato. O dinheiro já está depositado e liberado. Será que algum deputado federal influente não poderia interceder para o apressamento dos trâmites? O campeonato paulista começa em janeiro...

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DIA DO RADIALISTA...

O Dia do Radialista foi instituído pela primeira vez num decreto de 1945, criado pelo presidente Getúlio Vargas. Na época, a celebração era no dia 21 de setembro. Em 2006, a data foi mudada para sete de novembro, em homenagem ao nascimento do músico e radialista Ary Barroso. Por iniciativa dos vereadores e também radialistas Macalé, Gustavo Jordani e Roy Nelson, no último dia 1º, nas dependências do Museu Histórico de Lins, houve a solenidade de abertura da Semana do Radialista. O ato contou com grande número de profissionais que atuam nas sete emissoras da cidade. Houve o prestígio de algumas autoridades locais. Como era de se esperar em reunião de radialistas, o formalismo foi deixado de lado transformando o acontecimento num delicioso bate-papo e visita às fotos e aparelhos eletrônicos antigos ali expostos. Antes disso, houve os discursos de praxe e o corte da fita simbólica feita pelos mais antigos radialistas ali presentes, Antônio Luzia (Nhô Tunico) e eu. A Semana do Radialista teve sequência ontem, na ETEC (Rua São Pedro, 300), às 19 horas, onde houve palestra sobre esse profissional. Finalizando a comemoração, teremos hoje encontro da classe, às 18 horas, no CSU, onde rolará um papo alegre e descontraído entre radialistas e os vereadores proponentes da festividade.

            Feliz iniciativa dos nossos edis. Nós do rádio pouco nos falamos sobre a profissão, pois sempre estamos enfiados num estúdio ou correndo atrás da notícia e de anunciantes. Frisei, na oportunidade, que a comemoração do Dia do Radialista deveria ser a primeira iniciativa que levasse a nos encontrarmos mais, a trocar ideias sobre como aperfeiçoarmos nossa comunicação, pois o curso de formação de profissionais de rádio do Senac nos dá apenas uma ligeira noção sobre a magia e grandiosidade da comunicação. A prática se faz imprescindível e, aliada à formação acadêmica (especialmente na área das Humanas), complementa a formação e o ótimo rendimento de todos que amam essa profissão.  

Vi no rosto de colegas bem mais jovens ali presentes o mesmo olhar que tive nos idos de 1958, quando me pus frente ao microfone pela primeira vez. Tudo era sonho! De lá pra cá a vida toda dedicada ao rádio. Muito aprendi e ainda pouco sei. Vivendo e aprendendo, não é?  Salve o Dia do Radialista!. Meus cumprimentos efusivos aos colegas de tão grata profissão...

FINADOS: MORRER, POR QUÊ?...

Na próxima quinta-feira será Finados, dia em que celebramos a morte física, inevitável para todos. Para muitos é o acabar-se tudo, o término do prazo de validade de uma existência. É o fim da linha, como diria um amigo meu pouco voltado à existência espiritual pós-morte. Para ele, essa visão de a vida continuar após o caixão é o grito desesperado de todos os seres humanos que, apesar das evidências que comprovam nossa finitude física, buscam uma tábua de salvação na fantasia que prega a continuidade da vida em outro plano. Daí, segundo ele, o apego às mais diversas religiões e seitas que pregam a existência de um Deus que lhes prometa a vida eterna e as delícias do paraíso. Em síntese, para esse meu amigo, a morte é o fim de tudo. Morreu, acabou.

            Não sou tão cético assim. Para mim, todos desejam viver, todos caminham em direção ao Além, mesmo sem terem certeza absoluta de sua existência. Todos buscam vida, apesar da inexorabilidade da morte. Mesmo o meu amigo materialista e ateu clama pela vida. Deixar de existir é triste. Não nascemos para a morte e sim para a vida!

            O ser humano é complexo e tem em seu DNA a sede do infinito. Herdamos um pouco do Criador, pois somos capazes de discernir entre o bem e o mal e optar por uma existência produtiva e voltada para o próximo e para Deus. Esse ¨chamado¨ para o bem está na alma de cada um de nós. Aceitá-lo ou não depende de nosso livre arbítrio. Seguir a senda do Bem nos fará vencer a morte, pois somos mais que nosso corpo físico. Temos sede do amor eterno.

            Todo Finados vejo gente levando flores para o cemitério. Vejo gente chorando seus entes queridos. Mas, em meio a tudo isso, percebo que todos desejam viver. Todos buscam a vida! Cada vez mais acredito que ela jamais acabará após nosso último suspiro. É viver pra crer...

SOLIDARIEDADE...

Sempre ouvi a frase: ¨pobre ajuda pobre.¨  A solidariedade entre os pobres é muito maior que entre os ricos. Prova disso pude ter no início da semana passada quando fui procurado por uma senhora, em meu programa de rádio. Pessoa simples, alma pura, de difícil expressão verbal, tomou-se de coragem e frente ao microfone, pediu ajuda para a família de uma vizinha que vinha passando por uma situação de efetiva miséria. Eram três crianças, o pai havia perdido o emprego e vivia de serviços eventuais Sem estudo e qualificação profissional, o pouco que ganhava era insuficiente para sequer alimentar a família. Mal dava para pagar o aluguel da casa. A mãe, grávida do quarto filho. Dormiam todos no chão, pois móveis não tinham. Moravam no Lins 5, na Rua Rafael Scare, e viviam uma situação deveras triste e miserável.

Logo o auxílio veio com doações de cesta básica e de uma cama de solteiro. Vi lágrimas de gratidão nos olhos de minha entrevistada. Percebi a alegria que teve em ajudar a amiga necessitada. Perguntei-lhe como faria para buscar o que conseguira, especialmente a cama. Respondeu sorrindo: ¨A gente se vira. Tenho outro vizinho que é carroceiro e eu vou pedir pra ela buscᨠ(sic).¨ Agradeceu e foi embora depressinha.

O fato fez-me pensar várias coisas: o que faria aquela família assim que a cesta básica acabasse? Voltaria à habitual situação de miséria? Já teria ou não a Bolsa Família? Estaria cadastrada na Prefeitura para receber o benefício e ainda algum outro eventual amparo do município? Na cidade, quantas famílias mais passariam por igual situação de penúria? Teria o governo local um plano para atender a tais casos? Qual a atuação do Serviço Social municipal?

Embora a caridade deva seguir o princípio bíblico que prega ¨o que mão direita faz, a esquerda não precisa ficar sabendo¨, seria muito bom fosse informado o que a Prefeitura realiza na cidade em favor da promoção dos mais necessitados. Cairia bem uma divulgação maior daquilo que sempre foi meta do governo Edgar, que vem mantendo no rádio um programa em que enaltece os princípios do apreço e da solidariedade para com os que mais precisam.

CHOREI...

Confesso, chorei. Embora digam que um homem não deve chorar, a exemplo da música de Moacyr Franco, ainda ontem chorei de saudade. Minto, foi no domingo. Após 49 anos de contínua convivência, quase cumplices, ela teve que me deixar. Foram anos e anos de expectativa, de cumplicidade e que geraram filhos tão diletos. Quantos? Não sei. Apenas me lembro de alguns: Lourival Rocha, o Marrom, hoje na rádio CBN; o Samuel Gonçalves, da Rádio Capital e hoje radio difusor na Baixada santista; o ¨Caveirinha¨, hoje na Rádio Capital e o Ernesto Foschi, no setor de rádio, na USP de Campinas. Foram funcionários e amigos diletos que cresceram e se tornaram exponenciais na profissão.

            Eu e ela, no decorrer de tantos anos juntos, vimos inúmeras coisas que temos várias e emocionantes histórias para contar. Mais de oito prefeitos foram por nós acompanhados! Falamos de sonhos, de objetivos, de conquistas, de futebol, do Linense. Ouvimos as queixas da população cobrando providências de nossas autoridades no sentido de termos uma Lins cada vez melhor. Acompanhamos momentos áureos da cidade, desde a eleição da Luluzinha (Maria Lúcia Alexandrino) como Mis São Paulo (1968) até o acesso do Clube Atlético Linense à elite do futebol paulista (2011). Vimos o surgimento do Grupo Garavelo, do Bertin, da JBS. Também nos divertimos muito acompanhando os inúmeros casos de surgimento dos discos-voadores em Lins (final da década de 60). Foram tantos acontecimentos, que juntinhos, vimos, documentámos e difundimos. Éramos tão unidos, qual carne e osso. Então, por que ela resolveu me abandonar?

            A iniciativa foi minha. Fui eu quem lhe disse adeus! E tudo em nome da atualização, da adequação à modernidade... Eis o porquê de meu choro. Quietinha, sem reclamar, deu seu derradeiro suspiro no último domingo, quando perdeu a energia que a sustentou até então.

Adeus, minha já saudosa AM! De você guardo doces lembranças de um amor eterno que, tenho certeza, será perpetuado em nossa nova filha; a FM!. Que ela seja tão vitoriosa quanto a mãe...

A VISITA...

Dias atrás, visitou-me o presidente da Câmara Municipal, Rogério Barros. Foi levar os cumprimentos do Legislativo linense à conquista da FM pela Rádio Alvorada. Em meio à rápida entrevista concedida, como não poderia deixar de ser, falou do crescimento da cidade, da inauguração de dois novos supermercados de porte até o final deste ano e da perspectiva de instalação em Lins de uma termoelétrica pela multinacional norte-americana General Eletric. Rogério informou que todas as providências legais foram e continuam sendo tomadas, particularmente junto ao governo federal. E é justamente deste que depende a autorização final para o empreendimento se tornar realidade. A área a ser cedida à GE são os 26 alqueires antes liberados para certa firma chinesa que ali iria montar uma fábrica de lâmpadas led. O negócio não deu certo e espera-se que a nova invectiva, agora pretendida, vingue de vez. Expressei minha apreensão quanto à possibilidade de mais um fracasso o que iria frustrar definitivamente a população e fazê-la desacreditar de vez em seus dirigentes políticos.

         O presidente da Câmara ponderou que toda administração pública, especialmente a do interior, vive de sonhos e expectativa. É preciso acreditar sempre, embora se corra o risco de insucesso. Rogério afirmou que, se isso ocorrer, o dirigente político não deve ter vergonha e mesmo medo de reconhecer sua falha ou erro, junto à sociedade. Nas palavras do legislador linense ¨a transparência e sinceridade em reconhecer seus erros e vitórias deve ser a principal característica de todo dirigente político.¨

         Seria esse discurso, embora sincero, o sinalizador de que estava eu frente a frente com um futuro e forte candidato a Prefeito de Lins? Tudo indicava que sim, não é?...

FOLHAS MORTAS

Não adianta, sou mesmo um incorrigível romântico! Coisa rara nos dias de hoje, não? Mas é o que me sustenta ao viver a dura realidade de nossos dias. Pequeninos gestos e coisas despertam em mim deliciosas lembranças. Foi o que me aconteceu semana passada. Limpava caixas com velhos livros quando me deparei com uma antiquíssima edição de O Pequeno Príncipe, de Antoine De Saint-Exupéry. Era uma brochura, já amarelada pelo tempo, denunciando sua primeira leitura nos anos de minha juventude. E a eles senti-me transportado especialmente quando, entre as páginas do livro, saltaram duas pétalas de rosa ressequidas pelo tempo. Passei delicadamente os dedos naquelas nervurinhas do vegetal que pareciam chamar-me à recordação de um tempo em que tudo eram sonhos e espectativa. Vi-me junto a certo alguém, jovem e até mais romântica que eu, trocando juras de amor eterno, selado com a promessa de guardarmos por toda vida aquele souvenir vegetal como prova de carinho. Era um amor puro e bobinho, tão próprio da juventude da década de 70, embalado pelo romantismo de filmes como Dr. Jivago e Sissi... Quem, como eu, viveu nesse tempo e não se apaixonou ao som do tema de Lara?...

            Velhos tempos que não voltam mais! Será que, nos dias de hoje, com internet, SMS, redes sociais, ainda há espaço para o romantismo? A comunicação amorosa entre duas pessoas, antes lenta calculada e pacienciosa, hoje se dá de imediato. Não há mais o doce jogo da conquista. O relacionamento entre os jovens começa no celular e termina na cama! Sexo, outrora uma prerrogativa apenas do casamento, hoje está fácil, comum e banalizado. Talvez por isso haja tanta desilusão, desencontro e até sofrimento. Não sou moralista, apenas um observador atento. Não prego a volta ao passado, apenas lembro que a tecnologia pode desenvolver-se extraordináriamente e assim mudar o mundo, mas o ser humano continua o mesmo em suas necessidades de amor, carinho e respeito.

            Ainda guardo as pétalas de rosa esmaecidas pelo tempo e com elas a esperança de que possamos voltar às nossas origens românticas. Eramos felizes e não sabíamos...

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