Cilmar Machado

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O radialista Cilmar Machado escreve toda terça-feira neste espaço. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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A PRAÇA É NOSSA...

Na terça-feira passada, o Debate abriu manchete para a decisão do prefeito em promover a restauração da Praça Dom Bosco, ao redor da matriz de igual nome, Sua ideia é substituir o piso atual (pedras portuguesas), por bloquetes ¨com um desenho que recupere a ideia do piso original¨. Edgar também pensa em implantar em torno da praça o estacionamento em 45 graus. Até aqui, tudo bem. Acredito não haja nenhuma discordância da população. O que está pegando é a também pretendida demolição da fonte luminosa, que data da década de 60. Acham os saudosistas que isso descaracterizaria de vez a Praça e que a fonte, mesmo sem funcionar a anos, deveria ser preservada pelo que representou na vida de várias gerações. A grita, especialmente nas redes sociais, foi de tal monta, que levou o prefeito a adiar até hoje a execução das obras.

            Embora seja favorável à preservação de nossos símbolos históricos, acredito que a demolição da fonte, de há muito inoperante, seja necessária para proporcionar mais espaço para circulação das pessoas o que aumentou consideravelmente naquela área. Nos idos de 1960, quando inaugurada pelo então prefeito Gilberto Siqueira Lopes, a Praça Dom Bosco era rodeada de residências e a única distração das famílias que ali moravam, era espairecer naquele local. O tempo passou, décadas se sucederam e o entorno da Praça foi tomado por clínicas, Bancos e outras instituições. Aos poucos, as residências foram dando lugar ao comércio. O Salesiano ampliou suas instalações e consequentemente o número de estudantes circulando pelo local. Como se isto não bastasse, a Santa Casa fica em frente à Praça e grande número de pessoas não encontra local para estacionar próximo ao hospital. A ideia de estabelecer estacionamento em 45 graus no entorno é uma boa pedida.

            A vida de um prefeito não é fácil. Deve ser sensível à população, mas também firme nas resoluções que sabe serem melhores para a cidade. Isso é o que se cobra de Edgar. Que dê início logo à restauração da Praça Dom Bosco. Se - como reclama - está encontrando dificuldades financeiras (¨só o calçamento custa R$ 200 mil¨) busque verbas junto aos deputados de seu Partido, especialmente neste ano pré-eleitoral. Isto é o que se espera do prefeito que, mesmo sem dinheiro, poderá começar a reforma pelo estacionamento o que seria muito bem-vindo por solucionar a falta de vagas naquela área. 

AMOR DE INTERNET...

Há tempos Pedrão pensava numa só coisa: arrumar uma amante! Era casado, mas o passar dos anos transformara Rute, sua esposa há mais de trinta anos, num autêntico robô doméstico. Gostava de lavar, passar, cuidar da casa e dos filhos. Tão somente isso. Carinho que é bom, nada! Massacrado pela rotina, o relacionamento sexual entre os dois quase que inexistia. Pedrão quis dar um jeito nisso e arranjar outro alguém, mas sem se desfazer de Rute, pois paradoxalmente ainda a amava, mas... Achava-se atraente para as mulheres, apesar de seus cinquenta anos bem vividos. E deu início à caçada amorosa pela internet. Enquanto a esposa habitualmente dormia em seu quarto, Pedrão ficava horas e horas madrugada afora xavecando uma ou outra possível candidata. Era educado e atento, passando-se por um homem bem sucedido financeiramente, mas com uma alma carente que buscava tão somente amar e ser amado. Dizia coisas de amor, escrevia poesias e se proclamava o último dos românticos solitários...

                Certa noite, o rosto de uma linda mulher surgiu na tela de seu computador. Era Vanda. Aparentava ter uns quarenta anos, morena, olhos sedutores, boca carnuda e corpo de sereia. Pedrão se entusiasmou logo de cara e, por longos dois meses dividia com ela ideias, pensamentos, frases e tórridos relatos de amor e sexo. Usando do Skype puderam exibir autoimagens sensuais por um bom tempo. Pedrão se deixava ver nu sem nenhum constrangimento. Vanda desnudava-se aos seus olhos de forma incompleta, embora se manifestasse insinuante e cheia de tesão. A dança dos sete véus que fez para Pedrão foi o que faltava para ele convidá-la para um encontro real. Vanda era de Araçatuba. Marcaram  encontro naquela cidade, numa sexta-feira, à noite.

                Foi o que aconteceu. O empolgado Pedrão apanhou-a no Shopping da cidade e foram direto para o Motel mais chique. Lá, após beijos demorados e quentes, pediu-lhe que fizesse para ele a dança dos 7 véus que tanto o empolgara, mas que ela tirasse todos os véus, o que não aconteceu no Skype. Após isso, iriam celebrar uma noite de intenso amor. Sorrindo, Vanda começou a demorada dança. Foram-se um, dois, três, quatro véus. Inebriado ou talvez sob efeito das cervejas que bebera, Pedrão era só prazer. Embora a dança se realizasse a meia luz, enxergava e muito bem o voluptuoso corpo de Vanda que se contorcia como uma cobra naja. Quando os sexto e sétimo véus começaram a cair, Pedrão deu um pulo da cama, esconjurando: ¨Vôte, você é um traveco!!!!!¨ O clima fechou, Pedrão se vestiu às pressas e largou Vanda reclamando e chorando pelo indesejado abandono.

                De volta ao seu lar, Pedrão olhou demoradamente a esposa e, chorando, jurou-lhe fidelidade e amor eterno. Sem compreender bem o porquê da atitude do marido, Rute fez-lhe um inesperado cafuné e o convidou para uma longa noite de amor...

SEXO NA 3ª IDADE...

A internet nos traz muita distração e humor. Dias desses, alguém me enviou um texto realmente hilário que dá dicas aos homens da 3ª Idade para que tenham um bom desempenho sexual na hora do rala e rola, se é que eles consigam ainda fazê-lo mesmo apelando para o comprimidinho azul.  O nome do autor (a) do texto não é revelado, mas demonstra ser um (a) excelente observador (a). Pede inclusive que suas dicas sejam amplamente divulgadas. Daí sentir-me à vontade para tal. Isto posto, vamos às dicas para se fazer sexo na 3ª Idade:

  1. Use seus óculos;
  2. Certifique-se que sua companheira esteja realmente na cama;
  3. Ajuste o despertador para tocar a cada três minutos para evitar que você durma durante a performance;
  4. Acerte a iluminação e apague todas as luzes;
  5. Deixe o celular programado no número EMERGÊNCIA MÉDICA;
  6. Escreva em sua mão o nome da pessoa que está na cama com você, para o caso de vir a esquecê-lo;
  7. Tenha Dorflex à mão para o caso de alguma dor muscular ou câimbra durante o desempenho;
  8. Não faça muito barulho, pois nem todos os vizinhos são surdos como você;
  9. Se tudo der certo, tenha à mão os números dos telefones de seus amigos para depois contar-lhes como foi, mas não exagere!;
  10. JAMAIS pense em repetir o ato, mesmo tendo disponível o Viagra;
  11. Não se esqueça de ter na cama dois travesseiros para não forçar a artrose

dos joelhos;

  1.  Não se esqueça de tirar a parte de baixo do pijama, mas nunca tire a camiseta para não pegar gripe;
  2. Não tome nenhum tipo de laxante nos dias que antecedem a transa, pois não se sabe se você irá ter um acesso de tosse durante o rala e rola;
  3. Não esqueça de tirar a dentadura para evitar engoli-la no auge do prazer...

Depois de ler e divulgar estes sábios conselhos, fiquei matutando:

- Por que será que minha amiga internauta mandou-me isso?...

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O CAFÉ DA PAIXÃO...

Estamos no mês das férias escolares. É tempo de relaxar e divertir. É tempo também das festas julinas e dos famosos ¨causos¨ contados ao pé da fogueira. Este é mais um deles e foi narrado pelo Senhor Brasil, Rolando Boldrin:

            Bem no sertãozão de Goiás viviam dois amigos e compadres. Um deles era solteiro e o outro, casado. Sua esposa era uma caboclinha ajeitada, bonitinha e meio assanhada. Talvez por ser muito nova e sem juízo, ou por qualquer outra razão que só seu coração conhecia, ela nutria uma paixão secreta pelo amigo do marido. Toda vez que ele ia visitar o casal, ela se desmanchava em atenção, olhares e sorrisos, sem que o marido nada percebesse de anormal.

            Certa feita, este foi comprar um gadinho numa propriedade em Minas Gerais e empreendeu viagem por uma semana inteira. Foi quando a mulher viu a oportunidade de cair de vez nos braços do amigo do marido. Mandou-lhe um aviso para que fosse à sua casa, pois o esposo havia deixado com ela um recado a ser-lhe dito urgentemente. Sem nada desconfiar, após trabalhar o dia todo, o caboclão foi noitinha na casa da comadre. Ela o recebeu festivamente e o convidou para entrar e se sentar no sofá da sala. O compadre se acomodou e perguntou do recado que o amigo havia deixado com ela. Sorrindo, a sirigaita falou: ¨Calma, compadre. Pra que tanta pressa? Vou passar um cafezinho agora mesmo. É um instantinho só!¨.  E se dirigiu à cozinha. Lá, pôs seu plano em ação. Uma cigana havia dito a ela que, para conquistar o amor de um homem, bastava que ele tomasse uma xícara de café passado na hora e coado numa peça íntima da mulher. A comadre correu para o terreiro e, no escuro, pegou correndo uma peça íntima no varal. Voltou à cozinha e coou o café com ela. Colocou-o na melhor xícara da casa e levou para o compadre que, por educação e gentileza, bebeu todo seu conteúdo.

            Passados quinze minutos de conversa a mulher notou que o visitante começou a chorar devagarinho até chegar à compulsão. Assustada, perguntou: ¨ O café estava tão ruim assim? O compadre está chorando por quê? ¨. Enxugando as lágrimas, mas não contendo totalmente o choro, o homem respondeu: ¨ Também não sei o porquê, comadre. Mas, na verdade, estou sentindo uma saudade imensa do compadre e se ele estivesse aqui eu seria capaz até de dar um beijo nele...¨. 

O GARANHÃO DA 3ª IDADE...

Ela estava na fila do Correio. E Waldir, logo atrás. Ela, uns 30 anos, bela e naturalmente sensual. Ele, bem apessoado, cabelos brancos, beirando os 65, mas com pose de 40. O atendimento não deslanchava. Um só funcionário atendia como podia e cada vez chegava mais gente criando impaciência e irritação nos que, em pé, aguardavam serem atendidos. Num determinado momento, como que numa explosão de irritabilidade, a moça bonita virou-se para Waldir e reclamou da demora. Para ele, a voz de um verdadeiro anjo se fez ouvir acendendo-lhe o desejo de conquistar aquela belezura à sua frente. Valeu-se da experiência e encenou um ar impaciente, olhando apreensivo para seu Rolex: ¨Isso vai atrasar o meu voo¨, murmurou. Curiosa, a moça perguntou inocentemente qual seria o destino de sua viagem. Era o que o sessentão queria! Deu uma leve tossidinha e disparou: ¨Vou para Dubai e todos que voarão comigo dependem do meu trabalho¨. A bela quis saber; ¨Como assim?¨. O coroa conquistador com pinta de garotão não se fez de rogado: ¨É que eu sou o piloto que os levará àquele distante país.. ¨

             Os olhos da bela jovem brilharam como se sonhassem. Passou a ver seu companheiro de fila com mais atenção. Era o que Waldir esperava. Empertigado, continuou seu xaveco, pensando: ¨esta está no papo!¨. Discorreu várias supostas viagens que fizera pilotando seu Boieng, falou da gastronomia, das belezas naturais e das mulheres que conheceu e até amou nos mais diversos recantos do mundo. Embevecida, a jovem absorvia aquele bla, bla bla sem fim. Foi quando Waldir disparou sua cartada final: ¨Você gostaria de viajar um dia, comigo, em meu avião?¨

            Totalmente fascinada a moça deixou cair o grande envelope que iria postar. Waldir, procurando demonstrar o quanto cavalheiro era, imediatamente se abaixou para pegar o envelope. Foi a sua desgraça! Descer desceu, mas subir, não deu! Travou de vez! A hérnia de disco e a artrose nos joelhos o derrotaram denunciando sua avançada idade. E, pior: teve que ouvir a ligação que a moça fez aos bombeiros, chamando por uma ambulância para socorre-lo: ¨Por favor, venham no Correio, que tem um velhinho aqui que está travado, agachado e não consegue se levantar. Ele é piloto de avião e precisa ser atendido depressa, pois tem um voo para Dubai para daqui algumas horas. Venham depressa. Vou dar um copo de água pra ele e ficar conversando para que não sinta tanta dor...¨.

            Com isso, acabou-se a tentativa de aventura do garanhão da 3ª Idade...

O PREFEITO É GAY! E DAÍ?...

Muito se falou, se comentou, se aplaudiu, se ironizou e até se reprovou quando foi exibida nas redes sociais foto que mostra a participação ativa do prefeito linense na Parada LGBT de São Paulo, no último dia 18. Que Edgar é gay, não é segredo. Desde a posse do chefe do nosso Executivo, a imprensa brasileira publicou sua opção sexual declarada, ainda mais reforçada com a festa de seu casamento gay realizada num dos clubes mais badalados da cidade e com direito a cobertura e foto na revista Veja. 

            No Facebook, em especial, fotos do prefeito empunhando uma bandeira do movimento gay causou e muito. As opiniões foram desde a aceitação até a repulsa. Houve gente que reprovou terminantemente o fato de uma pessoa ser gay, considerando isso grave pecado que, segundo a internauta, ¨foi a causa da destruição de Sodoma e Gomorra, conforme a Bíblia.¨

            Exageros a parte, vivemos a época em que o ser humano começa a se libertar de velhos e enraizados preconceitos e, com isso, tornar-se mais livre, mais dono de si, de seu corpo, de sua opção sexual enfim. O velho sonho gay de sentir-se respeitado e valorizado parece ter-se tornado realidade. Nada a opor quanto a isso.

O que está pegando é a forma exagerada de enaltecimento da figura do homossexual. As novelas da TV, em especial, vão muito além chegando a exibir o beijo gay de forma romântica e natural. Tem-se a impressão de que um bem planejado e vigoroso marketing em prol do homossexualismo está em andamento. E ái de quem criticá-los! Dá até processo! É o típico caso em que a caça se tornou caçador!  Os chamados heteros, que antes ridicularizavam os gays, agora estão em desvantagem. Hoje, se alguém critica ou mesmo faz piada contra um gay, é enquadrado como preconceituoso e poderá responder por isso na Justiça. Resultado: foi decretado o fim das piadinhas sobre gays...

Sou pelo meio termo. Que haja a convivência pacífica e harmoniosa entre heteros e gays, sem a preponderância de uns sobre os outros. A vida se torna muito mais fácil e bela, quando há respeito pela vontade e opção do outro.

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A ESQUINA DO PECADO...

Nas décadas de 60 e 70, na confluência das Ruas 21 de Abril e Luiz Gama, funcionava a famosa esquina do pecado, assim batizada por ser o local onde aposentados, remediados e desocupados, sem terem muito que fazer, tomavam cafezinhos no bar então ali existente e passavam a vida dos outros a limpo. Tudo se sabia, tudo se comentava. O tempo passou, o bar fechou, a área se transformou em Calçadão (década de 80), mas o ponto de encontro continuou, especialmente para os da chamada Terceira Idade. É impressionante o número deles que disputam os muitos bancos em frente à Tânger, em especial.

            Quarta-feira última, véspera do Corpus Christi, tive que ir ao Bradesco acertar umas contas. Pouco saio, mas naquele dia tive que fazê-lo. Peguei carona com meu filho e combinei buscar-me em uma hora, pois acreditava ser tempo suficiente para enfrentar a longa fila que se formava naquela casa bancária. Tive sorte e em quinze minutos tudo resolvi. Agora, tão somente restava-me aguardar a carona. Que fazer para que os minutos passassem mais depressa? A única alternativa era sentar-me num os bancos do Calçadão e aguardar...

            A cidade fervilhava de gente e veículos. Parecia que eu estava num autentico formigueiro humano. Corri buscando o cantinho de um banco onde já estavam quatro pessoas, em que apenas uma não era idosa e aparentava ser filho de uma das outras. Mal me sentei e ouvi: ¨Cilmar, e a arquibancada do Linense vai mesmo sair?¨ Não tive tempo de responder, pois disparou em seguida: ¨Vamos ver se o Edgar (Prefeito) e o tal do deputado Mussi conseguirão! Político, sabe como é, né?¨. Apenas sorri. Um senhor calvo e com alguns cabelos brancos ladeando a cabeça, parecendo me conhecer, perguntou: ¨Quantos anos de rádio você tem?¨ Respondi-lhe que ano que vem completo 60 anos dedicados em sua maioria ao rádio linense. Indagou-me se não sentia saudades dos tempos de início de carreira. E acrescentou: ¨Naqueles tempos Lins era melhor, mais calma e tranquila. Podia-se sair à rua com segurança a qualquer hora do dia ou da noite.¨ Argumentei que eram outros tempos, a cidade havia crescido e com isso surgiram os problemas. Com olhos distantes e saudosos, desabafou: ¨A cidade não cresceu, inchou. Veja: Lins tem a maior frota de veículos do interior, o maior número de pessoas por metro quadrado, ou seja, tá inchada!¨  Fiquei com vontade de responder que se está inchada é porque sua população cresceu, mas preferi dizer-lhe algo positivo: ¨Mesmo assim, Lins está classificada como a terceira cidade brasileira para os da terceira idade viverem, dado a qualidade de vida que lhes proporciona.¨ O idoso não se deu por rogado: ¨Também pudera, aqui só tem funcionário público!¨ Percebi que a conversa poderia esquentar e dei graças a Deus quando ouvi a buzina do carro de meu filho. Era a minha carona salvadora...

DIA DOS NAMORADOS...

Pedro não acreditava no que estava acontecendo, mas lá estava ele, no restaurante mais chique da cidade, sentado ao lado de sua esposa. Era o Dia dos Namorados. Walkiria, a única filha do casal, fora responsável por aquele encontro a dois. Comprou as adesões para o jantar e as passou aos pais, sob condição de que não deixassem de ir. E, sabe como é, quando a filha pedia, Pedro se derretia. E lá estava ele, absorto em seus pensamentos...

            Nunca fora muito romântico, ao contrário de Angelina, com quem se casara há mais de quarenta e dois anos. Tivera seus momentos de romance e ternura, mas a luta pela vida o transformou num ser fechado em si mesmo, sem nenhuma concessão aos gestos de carinho aos quais Angelina era merecedora e mesmo carente, embora jamais ouvisse dela uma queixa sequer a esse respeito. Para ele, estarem juntos bastava...

            Por sua vez, a esposa era toda sensibilidade e romantismo. Dotada de uma doçura imensa, com um jeitinho todo seu, sabia contornar problemas, evitar atritos, vibrar nas vitórias do marido e consolá-lo em seus momentos de baixo astral. Pedro, aos poucos, envolvido pela música romântica que se ouvia ao vivo no ambiente, foi amolecendo o coração e lançou seu olhar em direção a Angelina. Teve de volta a maior ternura que jamais recebera. Os olhos da esposa, numa linguagem muda que só um grande amor pode expressar, diziam da alegria que vivia naquele momento.

            Um delicioso flash back se fez presente. Pedro viu-se com ela, novamente jovens, trocando juras de amor eterno e traçando planos para a conquista da felicidade a dois. Percebeu o quanto devia em carinho e atenção àquela criatura que sempre o amara mais que a si própria. Angelina sempre fora luz em sua vida sem nada pedir em troca. Contentava-se em estarem juntos. Foi quando Pedro tomou as mãos de sua consorte, acariciando-as demoradamente. Um longo e apaixonado beijo selou aquele raro momento de ternura e agradecimento.

            Numa mesa ao lado, sem que se fizesse ver, Walkiria a tudo assistia e vibrava ao ver os pais na mais bela manifestação de amor. Também era sentimental, puxará a mãe, e as lágrimas de felicidade abundantes e soltas, rolaram de seus belos olhos verdes... 

UM SIMPLES CARTÃO POSTAL...

José pensava que o envio de cartões postais tivesse caído em desuso com a chegada da internet, mas não. O carteiro gritou pelo seu nome no portão e passou-lhe às mãos um belo e colorido cartão postal. Vinha do Japão, pois estampava um dos maiores símbolos daquela nação, o monte Fuji. Em seu verso, apenas cinco palavrinhas: ¨Eu ainda te amo¨, Sumie. Isso mexeu com José e o transportou ao tempo de seus 25 anos de vida. Jovem, elegante, universitário, com profissão definida, fazia grande sucesso junto às mocinhas da época. Era, como se dizia antigamente, um bom partido. Mas embora achasse muita gente bonita e interessante, seu coração ainda não havia encontrado a chamada cara-metade (outro termo daquela época). Cupido ainda não o flechara de forma definitiva e inapelável!

                Foi num domingo de muito sol que algo inesperado aconteceu. Saindo da Igreja Dom Bosco após a missa, como de hábito, José uma olhada na chamada Festa das Nações que se realizava na praça. Cada colônia de imigrantes aqui radicada tinha sua barraquinha onde vendia produtos típicos das diferentes nações. Foi na da colônia japonesa que viu aquela pequena deusa oriental. Tipo mignon, corpo perfeito, boca carnuda e olhos puxadinhos e amendoados chamaram sua atenção imediatamente. Não pensou duas vezes, adentrou à barraca, sentou-se e aguardou aquela verdadeira menina-moça aproximar-se para tomar-lhe o pedido. Que delicadeza, que educação, que primor de mulher! Após a segunda porção de uma deliciosa yakisoba e animado com o sorriso de acolhimento e encorajador da japonesinha, perguntou seu nome e a convidou para sair e passear no domingo seguinte. E assim tudo começou...

                Por três longos meses Sumie e José mantiveram um namoro puro, tão comum entre os jovens da época. A garota, no entanto, ficava apenas por uma hora em sua companhia e alegava que precisava voltar sozinha ao seu lar. Aquilo o encabulou e lhe disse que a pediria em namoro aos seus pais. Sumie tremeu da cabeça aos pés e disse que o amor entre os dois só poderia existir se José não fizesse aquilo. Confessou-se apaixonada, mas que devido à tradição japonesa, jamais poderia unir-se com um gaijin (estrangeiro, não japonês). Se viesse a se casar um dia, teria que ser através do Miái (casamento arranjado pelos seus pais) e nunca pelo denái (pela livre escolha de seu parceiro). Aquilo bastou para que José colocasse um ponto final no romance. Chorando muito, mas em silêncio, Sumie disse que respeitava sua decisão, mas que jamais o deixaria de amar.

                O tempo passou e ela e sua família voltaram à terra de seus pais. E hoje, após 30 anos e tão próximo do dia dos namorados, José recebeu dela aquele cartão postal provando a lealdade de um grande amor que não prosperou. Isso o fez matutar que se fosse nos dias de hoje, quando a miscigenação entre nipônicos e brasileiros é a coisa mais comum de acontecer, talvez ele estivesse com a bela princesinha do Oriente para sempre ao seu lado. Vieram-lhe as lágrimas no mais amargo Dia dos Namorados porque passou. Do outro lado do mundo, no Oriente distante, alguém chorou também...

FOBIA ELEITORAL...

Sabe aquele medo irracional que muita gente tem de baratas, cobras, aranhas e outros animais peçonhentos? Pois é, tenho todos. E agora, mais um veio surgindo há mais de um ano e que, especialmente após os acontecimentos do último final de semana, se transformaram numa verdadeira fobia. Confesso a vocês quepassei a ter verdadeiro pavor e consequente aversão a político, especialmente o da esfera federal. Bichinho tinhoso, de fala mansa, bonita e envolvente, transveste-se de arauto e defensor dos interesses do povo, mas na realidade só pensa sem si e na prática da famosa lei de Gerson, ou seja, tirar vantagem pessoal em tudo. E o resultado é esse verdadeiro caos que o mundo político brasileiro hoje atravessa, semeando desilusões e desesperança na alma de cada cidadão de bem. Com a divulgação e o conhecimento da tanta maracutaia, chega-se a duvidar de tudo e de todos.

            O pior ainda está por vir. Ano que vem acontecerão eleições. Deputados e senadores virão à cata de nosso voto. Em quem votar? Em quem confiar? Nenhum deles tem estrela na testa, não é? Certamente virão travestidos de defensores da moral e dos bons costumes, com um discurso de causar inveja à Madre Tereza ou à irmã Dulce. Dirão que apoiam a Lava-Jato, na qual foram inocentados de mentirosas acusações, fruto de perseguições políticas. Nos programas gratuitos na televisão veremos um autêntico desfile de candidatos que, pela mensagem que transmitirão, poderão até se transformarem em sérios concorrentes à santidade. O Vaticano que se prepare...

            Teremos ainda os franco-atiradores, isto é, os oportunistas que se aproveitando do desejo de renovação por parte do eleitor, se apresentarão como a única alternativa para a prática de uma política interessada somente no Brasil e em seu povo. Olho vivo, gente!

            Embora também haja políticos honestos e bem intencionados remanescentes da atual legislatura, a desconfiança já se encontra instalada no coração do eleitor. É pelos seus atos que se julga o político. É pela decência, pela moral, pelo patriotismo. Valha-nos, Deus!

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