Cilmar Machado

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O radialista Cilmar Machado escreve toda terça-feira neste espaço. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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INTENÇÕES DE NATAL...

Não tem jeito. Todo ano é a mesma coisa. Ao chegar Dezembro vejo-me impelido a fazer um balanço do que foi minha vida durante o ano que está por terminar. Lembrar-me de minhas vitórias e alegrias foi fácil, mas quando procurei avaliar se realmente corrigi atitudes e coisas indesejadas neste ano, minha memória falhou feio. Ainda bem que, em 2015, nesta mesma época pré-natalina, recorri à internet e salvei um rosário de intenções e metas a serem por mim cumpridas em 2016. A avaliação não foi das melhores, embora tenha conseguido alguma coisa na difícil arte de conhecer e dominar-me melhor. Melhorei relacionamentos, perdoei, fui perdoado, fiz novas amizades, pensei mais e falei menos e por aí vai.

            No entanto, um defeitinho ainda me persegue e até assusta. Já fui alertado pela minha mineirinha sobre as compras que faço sob impulso. Mas, juro que melhorei. Mesmo assim, tive alguns escorregões durante o ano. Cheguei a comprar um aparelho caro de remar que usei por uma semana no máximo e hoje está lá, no quartinho de despejo. Ainda bem que meus filhos, quando em visita, o usam. Mas, minhas estripulias não param por aí: assinei a revista Veja por um ano, só para ganhar uma mochila que apenas tem serventia quando de minhas esporádicas e rápidas viagens. Certa feita, anos atrás, assinei a Caras, porque receberia como brinde um faqueiro inox, de poucas peças e de qualidade temerária. Pra fazer compras por impulso eu sou caprichoso! Lembram-se daquelas famosas facas Guinzu (seria mesmo esse seu nome?)? Pois é, tenho algumas delas até hoje, em casa.

            Gente, sou terrível! Mas tomei uma resolução drástica: especialmente neste mês, quando somos bombardeados com ofertas e mais ofertas pela internet: não abrirei nenhum E-mail promocional e, quanto aos Spams, que são os reis das ofertas, irei deletá-los sem sequer saber do que tratam. Quer dizer, deletarei quase todos, porque ainda hoje vi num deles uma cafeteira que é oferecida por um precinho de Papai Noel. Será que eu tenho jeito? Tenho não, né?...

VIDA AOS NOVENTA ANOS...

Um dos males da chamada Terceira Idade é a queixa. Reclama-se de tudo: da artrose, da lordose, do reumatismo, da falta de tônus vital, da falta de amor da família, da solidão e por aí vai. Meu amigo e linense, Wilson Tadeu Passarelli, mandou-me um texto lindo da Regina Brett que, ao comemorar os 90 anos de vida, resolveu enumerar 45 lições que a vida lhe ensinou durante todos esses anos. Por razões de espaço, peço licença a ela e ao Tadeu para enumerar tão somente 25 delas:

2. Quando estiver em dúvida, dê somente, o próximo passo, e pequeno.

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Só quem te ama

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use lingerie chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico (a) agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você...

            É para se colocar num quadro, não é mesmo? Sorrir, compreender e amar é ainda a melhor forma para se encarar a chegada da velhice. Ah, se quiser saber as demais lições de vida que a autora enumerou, peça pelo meu E-mail, que lhe enviarei.

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ADEUS, CIRO PENTEADO...

A máquina simplesmente parou e ele se foi de mansinho, durante o sono, no silêncio da noite, sem incomodar ninguém. Até na morte, Ciro Penteado foi cavalheiro e gentil, características de sua personalidade afável e acolhedora. Ciro sempre soube fazer e conservar amigos ao longo de seus mais de 70 anos bem vividos.  Seu envolvimento com a cidade foi marcante desde a época em que foi goleiro do Clube Atlético Linense. Moço cheio de sonhos sabia também ser organizado e empreendedor. Em sociedade com o amigo Norival, desde os idos de 1968 e por muitos anos mais comandou a Cial, firma de artigos para a pecuária e lavoura. Ambos chegaram a se instalar no local onde hoje é a concessionária Toyota. Aposentados, resolveram encerrar as atividades comerciais e, desde então, Ciro passou a se dedicar à sociedade e aos amigos. No final do mês passado, estive com ele rapidamente, onde trocamos algumas palavras na porta da Rádio. Nem pensava eu fosse aquela a sua despedida. Ciro, como o Tobé e tantos outros, fomos companheiros desde o nossos tempos de quartel, nos idos de 60.

Alguns fatos pitorescos envolvendo o falecido ainda povoam minha memória. Penteado sempre foi galã e, à época, fez muito sucesso junto às mocinhas da cidade. Naquele tempo, tinha uma Vespa, sucedânea da famosa Lambreta. Eram tempos românticos e quando passava com ela pelas ruas as jovens suspiravam de paixão. Tempos felizes dos shows de artistas na cidade (não havia televisão), dos filmes da Sissi, do amor meloso e da música do Tema Lara, do filme com Omar Shariff, dos tempos da Jovem Guarda, com Roberto Carlos, Erasmo, Eduardo Araújo e Wanderléia. Tempos também de muitas aspirantes àquele movimento musical, como a bela jovem cantora Meire Pavão. Certo dia, ela fez um show na cidade e se enrabichou pelo Ciro. Cidade pequena, a notícia se espalhou em pouco tempo. Se estiveram juntos ou não, não sei. A verdade é que, o pretenso romance lhe rendeu o status de galã número um da Cidade das Escolas. E o título perdurou até os dias atuais sofrendo apenas uma ligeira alteração: após cinquentão, Ciro passou a ser o galã da 3ª Idade! Assim eu o chamava ao me encontrar esporadicamente com ele. Sorria e sujeitava-se a tão prazerosa missão...

Hoje, quero manter minha lembrança do amigo que nos deixou quinta-feira última, dia 24. Guardo indelevelmente seu sorriso e amizade. Mais um que se vai, mais uma saudade que fica. Descanse em paz, Ciro Penteado Silvestre...

DEVE E HAVER...

Não sou muito de me desapegar das coisas. Minha mulher que o diga. Vive me cobrando uma faxina geral numa velha gaveta onde há vários objetos guardados por muito tempo. Mas, neste último final de semana, enfezei e resolvi livrar-me do que julgasse inútil ou ultrapassado. Comecei a remexer na minha saudade! Meu primeiro estilingue, o velho bilboquê dos tempos de infância, o álbum incompleto de figurinhas das Balas Futebol, de 1954, onde também estavam os jogadores do sempre querido Clube Atlético Linense, faltando apenas a do Américo Murolo, que era carimbada e difícil de ser encontrada. Lá, no fundo da gaveta, já amarelecida pelo tempo, encontrei uma caderneta que tinha em todas suas páginas apenas duas colunas, onde se liam tão somente as palavrinhas: DEVE e HAVER. Viajei no tempo e retrocedi às décadas de 60 e meados de 70, quando essas cadernetas eram muito utilizadas. Serviam para que fossem marcadas as compras feitas nas vendas (não havia os supermercados ainda), nas padarias, bares e até em lojas de confecções. O acerto das contas era mensal. A coluna HAVER, muito pouco utilizada, marcava eventual pagamento a mais, motivado quase sempre pela falta de troco por parte do comerciante. A confiança na lisura das anotações era recíproca. Eram muito difíceis as reclamações, pois a honestidade determinava a continuidade ou não das compras naquele estabelecimento.

            No entanto, a caderneta que guardei nada tinha a ver com compras e sim com a minha vida. Explico melhor: desde pequenos, minha mãe, sonhadora e amorosa, nos incentivava a ter um diário pessoal, onde anotávamos tudo o que julgávamos importante em nossas existências e, como o dinheiro era curto e não permitia comprar um álbum para isso, apelávamos para as cadernetas de compras que eram distribuídas gratuitamente nos armazéns. E assim fui anotando,por vários anos, impressões e fatosvividos até chegar à idade adulta, quando a luta pela vida não mais me permitiu nela escrever. Reli com carinho e saudade aquelas amarelecidas páginas e notei que somente utilizei para a escrita a coluna do DEVE, deixando a outra em branco. Quanto devo aos meus pais pelo amoroso, desinteressado e constante amparo por tantos anos?Com a tinta invisível da compreensão e do amor eles escreveram imperceptivelmente na coluna do HAVER, toda a história ao longo de minha vida. Agora, já amadurecido, vejo-me na obrigação de expressar nela tambémminha gratidão pela educação recebida especialmente de minha mãe, de quem talvez tenha herdado o sentimentalismocom o qual aqui me expresso. De meu pai, a alegria constante, a humildade e o respeito pelo semelhante.

            Devolvi a caderneta à gaveta, tranquei-a e disse à minha Sônia: ¨Vai ficar do jeito que está, nada de faxina. A minha saudade, não se joga fora¨...

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UFÓLOGOS...

Gosto sobremaneira dos ufólogos, pois têm a capacidade de ativar minha imaginação, que já é muito fértil. Um deles me visitou por volta de 2003, se não me falha a memória. Pesquisava os casos das supostas aparições de discos-voadores em Lins, no final da década de 60. Na ocasião, já na Rádio Alvorada, fiz completa cobertura aos diferentes casos: Maria Cintra, dona Mariquinha, no Clemente Ferreira; Turíbio, nas proximidades do Cemitério da Saudade e muitos outros relatos de bolas de fogo que acompanharam veículos em nossas precárias estradas municipais de então. Os acontecimentos foram particularmente intensos em Outubro de 1968 o que motivou a vinda do Major Zani, da Aeronáutica, que vendeu à assustada população a informação de que tudo não passava de balões de estudo lançados desde São José dos Campos, para medir os chamados Raios Gama. Poucos engoliram tal informação, preferindo a excitante possibilidade de Lins estar sendo visitada por extraterrestres. Pelo que se observa tal pensamento perdura até hoje. Navegando no Youtube, entrei numa página de determinado ufólogo, que tece considerações sobre as aparições em Lins classificando-as como provas verdadeiras de que fomos visitados por amigos do além Terra. Sonhar não é pecado, não é verdade?

Em outro site, sempre no Youtube, um observador do espaço (como se autodenomina), mostra a foto que tirou recentemente de um OVNI, na cidade onde mora. Chegou até a gravar um tape com mais de 15 minutos onde, por todas as maneiras cabíveis e imagináveis, tenta provar a autenticidade do flagrante fotográfico que teve a sorte de captar durante o dia com sua câmera. É aí que o bicho pega e me faz pensar. O cidadão tem 5 minutos de observação de um suposto disco-voador e leva horas, dias e até anos, tentando justificar a autenticidade do que viu. A comprovação científica, os detalhes técnicos do objeto voador pouco lhe importam. Tudo fica na superficialidade, no espetaculoso. O que interessa é o reconhecimento de sua afirmação como verdadeira. É isso que me faz balançar ao tentar acreditar verdadeiramente nos chamados ufólogos.

Por outro lado, até compreendo esse frenesi que o ser humano tem em acreditar que há algo mais neste mundo de Deus. Sonhar e divagar fazem parte de nossas vidas. São os principais motivadores das grandes conquistas da humanidade. Talvez o Brasil sequer existisse se os portugueses não sonhassem com outras terras além-mar. E se o escritor francêsJúlio Verne não falasse sobre a viagem à lua e as conquistas espaciais, o homem nem sequer pensaria em ir ao nosso satélite ou a Marte. Precisamos do sonho, da fantasia, do além da imaginação e isso os ufólogos nos suprem intensamente...

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FINADOS: O MISTÉRIO DA MORTE...

            Amanhã, 2 de Novembro, será o Dia de Finados. Dia de orações pelos falecidos e de meditação sobre um dos maiores mistérios que enfrenta o ser humano. Já foram vividos pela humanidade milhares de anos e até hoje não se fez muito progresso em compreendê-la. Tremendamente democrática, ela virá para todos. Talvez por isso a morte seja vista como terrível, tirana e até odiosa. Mesmo assim, ela é inevitável.

Outro mistério assombra os mortais: o que haverá depois da morte? O que nos impressiona mais não é a morte em si, mas o que vem depois. Conta a história que os egípcios colocavam na urna funerária o livro dos mortos, que ensinava ao defunto como se comportar perante o tribunal do Criador. O próprio morto pleiteava sua inocência: ¨Eu não fiz pecado contra os homens; eu não caluniei a Deus; não fiz brutalidades contra os pobres; não tirei o leite da boca das crianças... ¨ Mas a balança do tribunal do outro lado poderia revelar que o morto estava mentindo e, em consequência, seria devorado pelo monstro maligno.

            Foi o Cristianismo quem veio para tornar a morte menos terrível. Reza a Escritura: ¨É preciosa aos olhos do Senhor a morte do justo¨. E em outra passagem: ¨O justo está nas mãos de Deus e não será atingido pelo tormento da morte¨... Mais tarde, São Francisco, o santo que melhor viveu o Evangelho, chamou a morte de IRMÃ, a Irmã mais velha que viria para transportá-lo aos braços do Pai. E foi exatamente o santo que mais amou a vida, que mais amou a natureza, quem soube ver a outra face da morte: a face da libertação que nos leva à Terra Prometida. Os cristãos são alegres porque para eles a morte não existe. Ela não é um fim e sim o começo. É com a morte que se começa a vida de verdade. A morte é o nosso nascimento em Deus.

Como se nota, encarar a morte depende somente de nós. Precisamos aprender a merecer a própria morte! Ela pode ser cruel ou libertadora. Depende apenas de nós...

A LIÇÃO DOS VELHINHOS...

Na última quarta-feira, Dia das Crianças, acordei bem cedo e fui à pracinha próxima de casa buscando tão somente espairecer. Havia pouca gente, como era esperado, mas três pessoas da dita Terceira Idade chamaram-me atenção. Pela aparência já passavam dos sessenta. Os três homens, sem se importaram com a minha presença e a do guarda da praça, corriam tanto quanto podiam empinando seus papagaios de papel. Desviando das poucas árvores, buscavam as áreas livres, vibrando a cada pinote que as pipas davam buscando o céu. A brincadeira durou uma meia-hora. Depois, os velhinhos sentaram-se no chão colocando um maço de figurinhas à sua frente e começaram o chamado jogo do bafo. Com a mão em concha, batiam no pequeno monte de figurinhas que, devido à pressão, viravam e eram recolhidas pelo jogador. Depois de mais meia-hora, tiraram de suas mochilas três bilboquês. Mais uma disputa ruidosa e feliz. Aí, bateu cansaço. Mas os velhinhos não pararam, não! Sentaram-se num banco e começou a disputa do par ou ímpar. Seguiu-se o jogo dos palitinhos em que cada participante tinha que adivinhar quantos havia nas mãos do parceiro com quem jogava.

            Foi nesse ponto que não aguentei e meu espírito curioso de repórter falou mais alto. Aproximei-me do grupo e perguntei o porquê de tanta vibração. Um dos idosos respondeu:

            - Hoje é o Dia das Crianças e nós simplesmente estamos matando saudades de nossa infância. Você viu quantos jogos divertidos e saudáveis as crianças de nosso tempo praticavam? Curtíamos mais a vida! Subíamos em árvores, pulávamos corda e por aí vai. Hoje, as crianças estão mais paradas e só se divertem com um celular nas mãos. Não sei como não têm tendinite de tanto acessar as teclas dessas engenhocas eletrônicas. Viemos aqui hoje para nos divertir e mesmo mostrar à essa nova geração que são muito mais saudáveis os brinquedos de outrora.

            - Mas então vocês são contra a tecnologia e a modernidade?, arrisquei.

            - Absolutamente, respondeu-me outro velhinho. Apenas achamos que tudo deve ser bem dosado. A criança não deve deixar de lado o celular ou o computador, mas usá-los com disciplina. No nosso tempo, brincávamos somente depois de cumprirmos nossos deveres escolares e familiares. Tudo tem sua hora...

            Dito isso, já cansados, mas extremamente felizes, os idosos se despediram de mim e, montando cada qual em sua bicicleta Monark, das antigas, partiram em busca de seus lares...

ME ENGANA, QUE EU GOSTO...

Eu já estava desconfiado! Na semana que antecedeu a implantação do horário brasileiro de verão, o presidente Temer anunciou a queda no preço dos combustíveis (míseros cinco centavos na gasolina e no diesel), acenou para a diminuição da taxa da Selic e comemorou o mais baixo índice da inflação brasileira. Como dizia minha saudosa avó: quando a esmola é demais até o santo desconfia. E deu no que deu: dia 16 último, roubaram uma hora de vida dos brasileiros, fazendo-nos adiantar os relógios em 60 minutos! É bem verdade que, daqui a quatro meses voltaremos ao horário anterior, mas a que preço? Acho que vou acionar o Sérgio Moro, pois considero esse o maior estelionato contra nossa tranquilidade e bem-estar. Ao menos para mim, tudo ficou bagunçado. Até meu cachorrinho (Bóris), que passeia todos os dias, às 7 da manhã, ao lado de minha esposa, se recusou fazê-lo uma hora antes do previsto. Cachorro é reflexo condicionado e eu também. Foi dureza tomar banho uma hora antes do vencimento do prazo do meu desodorante. Que desperdício! Quem paga o prejuízo? E o almoço, então? Almoçar às 11,30 quando meu relógio biológico marca 10,30? Cadê o apetite? O trabalhador comum, com esse novo horário, tem que engolir a comida pra não atrasar no serviço. Duro mesmo é aguentar a queixa dos filhos adolescentes. Um deles, que se esqueceu de adiantar o relógio, quase perdeu a namorada por haver chegado bem atrasado ao encontro com ela, que o esperou raivosa e impacientemente. De nada adiantou culpar o relógio. A moça ficou uma fera e hoje, ele tanta a reconciliação.

            Será que é mesmo válida a justificativa de que a implantação do horário de verão proporciona uma gigantesca economia de energia elétrica ao país? A hora que se economiza agora é acrescentada ao término do período de exceção. Então, qual é a vantagem? Me engana, que eu gosto...

            Vejo apenas uma real vantagem, que consiste na adequação do dia com a noite. Na primavera e no verão, os dias são mais longos durando mais de doze horas, ou seja, as noites são mais curtas. Adiantando-se o relógio em uma hora, as coisas tendem a se equilibrar melhor. Talvez seja essa a explicação mais racional para a implantação do horário brasileiro de verão. Ops, já estou atrasado! Devido ao adiantado da hora, preciso dizer adeus. O tempo urge e as horas passam...

REMOER O PASSADO...

Dia primeiro último comemorou-se o Dia do Idoso. O fato remeteu-me aos tempos de faculdade de Serviço Social em que, ao estagiar, atendi a vários casos de idosos em crise existencial. Apesar do verdor de minha juventude, procurava compreendê-los e até mesmo aprender com eles. Talvez pela proximidade ou mesmo medo da morte grande número de idosos, desde aquela época e até hoje, tem a chamada “mania de remoer”, de remexer nas decisões assumidas no decorrer de suas vidas: “Será que agi corretamente? Não deveria ter tomado outra decisão?”. Quantos da 3ª idade vivem sob o peso do remorso! “Não me perdoo”. “Não me perdoo por ter cometido aquela infidelidade... Não me perdoo por ter permitido que a minha filha namorasse aquele rapaz que lhe desgraçou a vida... Não me perdoo por não ter sabido orientar a vida do meu filho que caiu nas drogas…” E por aí vai...

            Não percebem que essa recordação obsessiva do erro, que julgam haver cometido, não permite a cicatrização da ferida.Pensam talvez que isso constitua uma penitência redentora, quando a verdadeira redenção foi Jesus Cristo que a fez, carregando na cruz todos os pecados dos homens. Mas, mesmo que não se tenha uma visão espiritual e cristã é possível livrar-se desses verdadeiros fantasmas que nos perseguem e reprimem.Percamosa“mania de remoer”,de remexer nas decisões assumidas: “Será que agi corretamente? Não deveria ter tomado outra decisão?”... Águas passadas não movem moinho. Se analisarmos bem, com isenção de ânimo, os motivos que nos levaram aagir no passadodessa ou de outra forma, chegaremos à paz. A decisão foi concretizada, não tem retorno. Poderia ter sidomelhor, mas foi a que julgamos estar certa no momento em vivemos nossas experiências. Ninguém é perfeito ou completo. A vida é um eterno aprender.

Quando nos sentirmos tentados pelo desânimo com relação ao nosso passado e ao caminho que nele percorremos, procuremos fazer um ato de fé e de esperança, deixando o orgulho de lado reconhecendo nossas limitações humanas. Se apegar a Deus ou a uma religião é uma boa pedida.

         Busquemos a paz e a serenidade sempre. Recordemos tão somente nossos acertos e momentos felizes. Salve o nosso dia, o Dia do Idoso!...

VAMOS ÀS URNAS...

Finalmente, no próximo domingo, os linenses irão às urnas para a escolha de seus representantes, prefeito, vice e vereadores. Embora atualmente a descrença nos políticos seja grande, no âmbito municipal ainda há uma chama de esperança, pois os candidatos são conhecidos, moram na cidade, têm o mesmo desejo em promover uma Lins melhor e mais desenvolvida. Mesmo assim, devido a corrupção, que se tornou generalizada em especial no meio político nacional, têm-se certo medo de uma escolha infeliz. Já na década de 70, o saudoso ex-prefeito Dr. Rubens Furquim, sentenciava para amigos mais íntimos, que quem assumisse a Prefeitura seria para realmente servir ao povo ou para servir-se dele e enriquecer pela corrupção. E olhe que Furquim disse isso em pleno regime militar, quando a desonestidade e a malandragem eram severamente punidas com a cassação sumária dos direitos políticos.

            Embora acredite que nenhum dos quatro candidatos a prefeito tenha intenções de enriquecimento ilícito à custa do dinheiro do povo, acho que a campanha deste ano foi muito curta e tivemos pouquíssimo tempo para conhecer a fundo os concorrentes ao cargo maior do município. A toque de caixa, em pouco mais de trinta dias, é muito difícil definir-se com menor possibilidade de erro, quem seria o melhor candidato para Lins. Mesmo assim, há certas perguntas que nos levam aproximar mais do acerto: Quem é o candidato? O que pretende? Qual seu histórico na vida local? Se teve experiência anterior na política local como se comportou? Qual seu relacionamento com as esferas superiores (Estado e União)? Qual seu estilo de administrar (autoritário, centralizador ou democrático e acessível)?

            Quanto a escolha dos vereadores acredito que a história se repetirá, ou seja, deverá ocorrer renovação de aproximadamente cinquenta por cento da Câmara atual. Com mais de 200 candidatos para 15 vagas, eleger-se vereador é o mesmo que ganhar na loteria. De certa forma isso é bom, pois é grande a chance de haver representantes dos mais diversos segmentos do povo, inclusive das minorias. A disputa é acirrada e o corpo a corpo definirá os eleitos.

            Enfim, apesar dos pesares, como canta certa dupla sertaneja, ¨tá ruim, mas tá bão¨. Feliz o povo que pode escolher democraticamente seus representantes...

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