Cilmar Machado

Cilmar Machado

O radialista Cilmar Machado escreve toda terça-feira neste espaço. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

cilmar

DO CINZA AO AZUL...

Apesar do sol causticante, o último sábado amanheceu cinzento nos corações dos torcedores atleticanos. Às cinco da tarde seria disputada uma partida que seria de vida ou morte para o Elefante da Noroeste. O adversário? Simplesmente o vice-campeão paulista, que no domingo anterior, havia derrotado o São Paulo em sua casa e estava embalado também na Copa Brasil. A maioria se mostrava pessimista. Nas redes sociais não faltaram críticas e descontentamento contra o time, seu técnico e até para com o presidente do Linense. Mesmo assim, um número significativo de fiéis torcedores compareceu ao Gilbertão, enfrentando o sol e os altos preços dos ingressos. A paixão lhes falou mais alto! E a mim também. Lá estava eu nas cobertas, ouvindo o Hino Nacional, executado em suas duas partes, pela nossa Banda Municipal. O Audax deu vexame, embora involuntário, entrando em campo somente após a execução do hino brasileiro. Desrespeito? Não sei, mas no mínimo uma gafe imperdoável.

            Começa o jogo. O primeiro tempo foi de inteiro domínio do time de Vampeta. Bola de pé para pé ante um Linense defensivo e acuado. Para sorte nossa, a pontaria e o arremate dos adversários não estavam em seus melhores dias. O nervosismo dos comandados de Guilherme era evidente a ponto do nosso lateral chutar, sem bola, um atacante do Audax, o que lhe valeu o primeiro amarelinho da partida. O primeiro tempo terminou sem abertura do placar. Ufa, ainda bem!

            Na segunda etapa surge um Linense mais agressivo, especialmente com as entradas de Gabrielzinho e Tiago Humberto, sendo que este marcou de pênalti o primeiro gol do Elefante. Seguiu-se a partida com o time de Osasco procurando o empate a todo custo. Com isso, abriu sua defesa e, já bem próximo do final da porfia, num passe magistral de Gabrielzinho, Zé Antônio bota a bola na rede. Aí, na torcida, só alegria. A vitória estava assegurada! Era só esperar o apito final e correr para o abraço. Foi o que aconteceu...

            Deixei o Gilbertão filosofando. A vitória do Linense deixou-me bem claro que, quando queremos e nos esforçamos, conseguimos nosso intento. Com fé, humildade e muito trabalho, chega-se lá. Não pude deixar de pensar no momento político que estamos vivendo, na corrupção e bandalheiras da maioria de nossos políticos que enterram o país em benefício do próprio bolso. A operação Lava Jato que o diga. As eleições serão no ano que vem. Se o povo se unir e souber votar, dando adeus definitivo aos políticos corruptos, poderá também conseguir a vitória que é reservada ao tão sofrido povo brasileiro. Oxalá isso aconteça...

O CAFAJESTE...

Domingo, nove da noite. Bateu fome e procurei a mais badalada pizzaria da cidade. Estava lotada. Havia um só lugar numa mesa pra dois, localizada bem ao fundo. Que sorte, pensei. Sentei-me à frente de uma moça de pouco mais de 25 anos. Embora bela mostrava-se triste. Escondia uma lágrima furtiva no canto dos olhos. Sequer respondeu ao meu cumprimento levando automaticamente à boca seguidas garfadas de pizza. Arrisquei: ¨Dor de amor?¨. Parou de comer, olhou-me atentamente e permaneceu em silêncio. Cinco minutos depois, quando minha pizza chegou e comecei a cortá-la, voltou-se a mim e disse: ¨Vejo seus cabelos brancos, poderia até ser meu pai. O senhor deve ter muita experiência e talvez possa me ajudar a entender o porquê de eu não dar certo no amor. Por três vezes tentei ter um alguém, mas todos eram tranqueiras e não queriam assumir um compromisso mais sério. Depois de algum tempo, largavam-me sem explicações. Isso afetou minha autoestima fazendo-me sentir inadequada para amar e ser amada. O que há de errado comigo e mesmo com os homens que não sabem valorizar quem só tem amor para lhes dar?¨.

            Parei de comer a pizza por um instante e lhe respondi: ¨Talvez você tenha sido infeliz na escolha de seus namorados. Talvez também tenha sonhado com um príncipe encantado tornando-se presa fácil de um cafajeste. Mulheres que fantasiam um homem poderoso, sem nenhum tipo de questionamento, têm chances de se envolver com tranqueiras. Homens de verdade têm dúvidas, medos, podem ser frágeis e mesmo ter dias difíceis. A mulher que busca um homem idealizado tem mais chance de encontrar no cafajeste um par ideal. Isso persiste até quando ela tem a chance de aprofundar a relação, momento em que o cafajeste pula fora”. A moça se interessou: ¨Então é isso! Todos com que me relacionei até agora foram cafajestes e o último deles, com quem terminei hoje, foi um manipulador jogando toda culpa do final de nosso relacionamento em mim, responsabilizando-me pelo nosso fracasso amoroso. Como fui boba! Ele foi perspicaz, nada sincero, seduziu, traiu minha confiança e pulou fora para não encarar a responsabilidade e seriedade de uma relação”.

            Vi o sorriso voltar àquele rosto jovem e bonito. Daí em diante a conversa girou em torno de mim. Quis saber quantos filhos eu tinha e se me dava bem com minha esposa. E, sem mais nem menos, surpreendeu-me dizendo: ¨É, os homens feios são os melhores e mais felizes¨. Apertou-me a mão, se despediu e foi embora me deixando encucado com aquela ultima frase. Fiquei sem saber se ela fora uma crítica ou elogio. Preferi terminar minha pizza e voltar para os braços de quem me ama...

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

NO MEU TEMPO NÃO ERA ASSIM...

Tenho comigo que um dos segredos para mantermos a eterna juventude mental é não nos apegarmos muito às coisas do passado evitando sobremaneira a terrível frase: ¨no meu tempo não era assim... ¨. Procurar adaptar-se à modernidade e aos novos comportamentos das pessoas é a grande sacada daqueles que buscam um convívio saudável e harmonioso com as novas gerações. No entanto, há certas coisas que observamos junto à chamada geração internet, que nos levam a verdadeira recaída saudosista. Explico melhor: onde quer que se vá, onde quer que se esteja, sempre há alguém tuitando em seu celular, tablete ou computador. Virou verdadeira febre e a grande maioria já não consegue mais viver sem a internet que, como já disse alguém, preenche o imenso vazio de toda uma geração.

                É aí que me dá verdadeira comichão em apelar para a fatídica frase própria da terceira idade. De fato, no meu tempo, não era assim. Especialmente em minha infância e juventude parece que se vivia mais intensamente. Contemplar as estrelas numa noite de luar, contar histórias de fantasmas e assombrações à luz de uma fogueira, brincar de esconde-esconde, de salva, de jogar betia, de correr atrás da bola num campinho improvisado e por aí vai. E as meninas? De brincar de roda, de amarelinha, de passar uma noite com as amigas numa barraca no fundo do quintal. Eram experiências que estão sendo abdicadas e mesmo abolidas por toda uma geração, obcecada pelo teclado de um celular. Os mais novos queimam etapas tão gostosas de se viver tornando-se adultos muito rapidamente. Dá-se adeus à infância aos quatro ou cinco anos de vida!

                Que memórias terá essa geração? De que folguedos se lembrarão nossos filhos? A internet, como todas as coisas na vida, precisa ter seu uso controlado para que se evite a formação de autênticos robôs, fissurados tão somente na comunicação social. Há tempo para tudo na vida! Tempo de ser criança, adolescente, jovem e adulto. Não deixemos que a modernidade nos tire tão prazerosa sequência de nossas existências...

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. 

CEMITÉRIO DA SAUDADE PEDE SOCORRO...

É preocupante o número de roubos que, segundo muitos de nossos leitores, estão ocorrendo no mais antigo Cemitério da cidade, o Da Saudade. Justo ele, que recebeu um pioneiro serviço de informatização, o que o credencia entre os mais bem organizados do país. Recebi e repasso o desabafo de uma nossa leitora, abismada com tanta falta de zelo por parte dos dirigentes responsáveis. Eis o que nos relata a Márcia Solange:

¨ Desculpe-me talvez até pela minha ignorância, mas estou morando aqui em Lins há um ano. Viemos para cá 20 dias após o falecimento de minha querida filha no dia 09/11/2015(suicídio por arma de fogo). Acho que vc deve se lembrar, pois postei muitos comentários devido a nossa dor pelo trauma que passamos nesse infeliz dia. Ela foi então enterrada no Cemitério da Saudade, no dia 10/11/2015, ás 15hs. No local tinha uma carneira vazia que é da família de meu marido e neste túmulo estão por 35 anos os restos mortais de meu sogro e junto colocamos então o corpinho de nossa amada filha(Verônica).

 Na sexta-feira, dia 13 de Janeiro último, aconteceu um fato lastimável: eu e meu marido Osmar fomos ao cemitério onde uma vez por mês e ás vezes até duas vezes por més, a gente vai fazer uma visita ao túmulo. Sempre entramos pelo portão de cima, ao lado do farol. Já na entrada reparamos algo diferente: vasos pelo chão, imagens quebradas, foi como se por ali tivesse passado um furacão. Ao chegarmos ao túmulo de nossa filha outra triste surpresa: todas as letras escritas em bronze haviam sido roubadas!... Naquele momento, no Cemitério, havia mais gente que tem o costume também de fazer visitas aos seus entes queridos e todos estavam indignados com o que viram. Cerca de mais ou menos 50 túmulos foram saqueados e na maioria deles levaram até imagens.

Conversando com algumas pessoas, tudo leva a crer que isto ocorreu no dia 01/01/2017 e pelo jeito à noite ou de madrugada. Eu e meu marido não estávamos aqui em Lins na semana do Natal e de Ano Novo. Quando voltamos, no dia 13/01/2017, fomos ao cemiterio e deparamos com essa falta de respeito desses vândalos que não dão o respeito nem para com os mortos.

Aí, eu pergunto: o que fazer, a quem devemos reclamar pela falta de segurança até dentro dos cemitérios? Todas as vezes que vamos ao cemiterio deparamos com vários homens bêbados ou drogados dormindo em cima dos túmulos ou as vezes até mesmo pelo chão, debaixo de alguma arvore. Desculpe-me o desabafo e, se puder, nos ajude de alguma maneira para que as autoridades de Lins prestem um pouca mais de atenção aos saqueadores de nossos cemitérios.¨

            Que o desabafo da Márcia Solange sirva de alerta às nossas autoridades para que zelem com maior carinho e atenção da última morada de tantos linenses queridos...

CARNAVAL DA CRISE...

Há muita gente chateada, inclusive eu, com a negativa do prefeito em liberar a verba prevista no orçamento deste ano para o desfile das Escolas de Samba. No entanto, em ano de crise financeira, a medida tomada por Edgar foi coerente e necessária. Festa de faz quando sobra dinheiro. Se assim o é em nossa vida particular, tanto mais o será quando se trata de dinheiro público. Mas, segundo o chefe do executivo local, serão mantidos os bailes de Carnaval do povão a serem realizados na Casa da Cultura. Banda e cobertura para eventuais despesas para a realização do evento já tiveram inclusive verba liberada. É bem verdade que o povão gosta do desfile das Escolas, pois Carnaval e Avenida são irmãos gêmeos. É bonito, sem dúvida, ver nossa gente alegre e feliz, nos festejos de Momo. O que está pegando é a crise.

            Como em tudo na vida há males que vêm para o bem!Cabem algumas reflexões quanto as nossas Escolas de Samba. Desde a ressuscitação do nosso Carnaval de rua, nos idos da década de 70, a cantilena é a mesma: se há dinheiro da prefeitura tudo bem, senão... Todos os anos as Escolas falam em realizar promoções que as tornem independentes do dinheiro público e todos os anos retornam de chapéu na mão em busca do dinheiro do erário público. Até quando?

            A Escola do Ribeiro é a única que leva a sério sua independência financeira e se vira nos trinta para desfilar bonita e soberana no Carnaval. É um exemplo a ser seguido. Carnaval sem dinheiro não se faz e sem esforço e muita luta também.

            Hoje, o Secretário da Cultura deverá se reunir com os chefes (sempre os mesmos) das Escolas de Samba, propondo-lhes exibições e até mesmo desfiles na própria Casa da Cultura permitindo-lhes a exploração dos serviços de bar e lanchonete durante o reinado de Momo, o que poderá trazer algum lucro às Escolas visando o Carnaval do ano que vem. Mais que isso, impossível. É pegar ou largar...

            Que as festas carnavalescas tragam não só a alegria ao nosso povo, mas também a necessidade de mais trabalho e união entre as nossas Escolas de Samba...

O NOVO SECRETÁRIO MUNICIPAL...

O Debate da última quinta-feira traz a notícia da criação, pelo prefeito Edgar, da Secretaria para o Planejamento Estratégico, confiada a um ex funcionário da JBS, Leandro André da Silva. A justificativa de sua criação, segundo Edgar, ¨visa introduzir mais ferramentas da gestão privada na administração pública¨.

Fiquei pensando: o sucesso de tal Secretaria dependerá em muito da autonomia de voo que terá seu titular. O que acontecerá, por exemplo, quando sugerir a necessidade de corte de outras Secretarias e cargos comissionados que, a seu ver, pouco ou nada estejam contribuindo para a administração municipal? Será atendido ou ignorado? E, quando tiver que se opor a uma iniciativa que o prefeito tenha a pretensão de tomar, pois a julga estrategicamente inoportuna ou má, será respeitado e acatado em sua proposta? Qual será seu limite?

Se levar a sério seu trabalho, Leandro André já tem um espinhoso abacaxi para descascar: demover a pretensão de Edgar junto ao TJ contra a lei do nepotismo, sob o pretenso objetivo em ¨deixar a legislação de Lins igual a que está preconizada para o país inteiro. Cargos equivalentes a ministros de estado são de livre nomeação do governo.¨ Conforme o Debate, ¨ Edgar ajuizou uma ação-direta de inconstitucionalidade visando derrubar a emenda 93, de iniciativa parlamentar, aprovada em Abril de 2010, que introduziu o artigo 80 à Lei Orgânica do Município.¨ Em síntese é proibida a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente, para o exercício de cargo em comissão na administração pública municipal, direta ou indireta.¨ A liminar impetrada pelo prefeito foi negada pelo TJ. Não se sabe ao certo o porquê da insistência do prefeito, pois em época de austeridade e probidade administrativa onde os privilégios e abusos são fiscalizados e reprovados por uma população cada vez mais atenta, tal pretensão no mínimo arranha a imagem de um administrador até então probo e respeitado. Para quem tenha pretensões de voos maiores na política é melhor render-se à opinião pública.

Boa sorte ao novo secretário de Assuntos Estratégicos. Pelo que se vê, terá muito trabalho pela frente.

UM DIA SEM...

Antes que você pense bobagem, deixe-me explicar o título desta crônica. Quando criança, todo começo de ano minha mãe, extremamente religiosa, fazia-nos passar por uma privação voluntária como forma de agradar a Deus. Ela chamava isso de mortificação, muito comum àquela época em que tudo era pecado e reparação. Tempos de uma igreja castradora e nada permissiva. E lá ficávamos eu e meu irmão sem jogar bola, que era a nossa maior paixão. Como o dia demorava passar! Não havia televisão, internet, só o rádio. Mas criança gosta de brincar e ao ar livre. À noitinha, a reza de um interminável terço a Nossa Senhora, findava o sacrifício a ela e a Deus oferecido.

            O tempo passou e a prática de mortificações foi ficando para trás, quase já no esquecimento. No entanto, no primeiro dia de 2017 veio-me à mente e, talvez tomado por imensa saudade de minha mãe ou de minha infância, resolvi praticar uma mortificação tal qual outrora fizera. Como já não tenho mais pique para jogar futebol procurei outra forma mais moderna de abstenção voluntária. Resolvi ficar por 12 horas longe do computador e também do celular.

As primeiras horas tirei de letra, pois aproveitando o feriadão, dormi até onze da manhã. Mais uma hora para um demorado banho e lá se foi um bom tempo. Lá pela uma, a coisa apertou. Deu uma imensa vontade de contatar com as pessoas com quem troco ideias todos os dias. Mas, resisti procurando fazer palavras cruzadas. Em pouco tempo me rebelei, especialmente quando o celular, que me esqueci de desligar, tocou o conhecido sinal de que havia uma chamada telefônica. No visor, era ela! Aquela morena bonita que há muito eu paquerava e que, apesar de minha insistência, jamais havia me ligado. Eu não poderia perder aquela oportunidade, mas perdi. Tudo em nome da mortificação! Afinal, eu era um homem de palavra e não um inconsequente...

Já no finalzinho da tarde, deu um imenso faniquito em acessar o Facebook. Queria saber das últimas, rir das piadas e sacadas dos (as) amigos (as), acompanhar todas aquelas mensagens chatas com lições de moral e citações religiosas e por aí vai... Esconjurei haver prometido aquele tipo de mortificação. Poderia ficar sem chupar sorvete ou mesmo sem tomar cerveja por um dia... Resisti bravamente até às oito da noite, quando o prazo se findou. Rezei apressadamente o terço oferecendo a Deus aquele meu penoso sacrifício e corri para o celular para tentar retornar o telefonema da garota dos meus sonhos. Não deu! O Hi-Fi estava mudo, pois a internet estava fora do ar. Comecei bem o ano, não é?...

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

SUJEIRA NO VITRÔ...

Passado o Natal entramos em clima de preparação para a chegada do novo ano. Tornamo-nos mais sensíveis, tendentes à introspecção, sentindo uma vontade incontrolável de corrigir eventuais defeitos no sentido de nos tornarmos melhores. Abrimos os corações e olhos para as mínimas situações e coisas que, via de regra, não levamos em consideração durante o ano que se finda, envolvidos tão somente na luta pelo sucesso no dia-a-dia ou mesmo pela simples sobrevivência. E, como por inspiração divina ou mesmo um toque de lucidez, descobrimos que a vida, mesmo nas coisas mais corriqueiras, nos traz lições a todo momento. Exemplo disso é a historinha que se segue e que foi escrita não se sabe por quem, mas com muita propriedade, amor e observação:

Uma mulher olhou do vitrô a casa da vizinha, apontou para o quintal dela e disse ao marido:

-Há dias venho observando como é encardida a roupa da vizinha.Eu teria vergonha de pendurar no varal uma roupa tão mal lavada.Isso é relaxamento, um desleixo...Na verdade, acho que é preguiça.

O tempo passava e cada vez que ela voltava a observar, as roupas tinham um aspecto pior.

Certo dia, uma surpresa! Ao reparar nas roupas da vizinha, ficou abismada. Estavam, brancas, limpinhas, as cores vivas.

-Criou vergonha - disse ela. - Perdeu a preguiça e esfregou mais, ou então trocou a marca do sabão.

-Nada disso - replicou o marido - fui eu que lavei.

-Lavou a roupa da vizinha?

-Não, mulher, lavei o vidro do nosso vitrô. Era ele que estava encardido o tempo todo...

            Com a chegada do novo ano, vamos manter os vitrôs de nossas almas bem limpos, para que possamos enxergar com clareza toda a beleza daqueles que nos cercam e com os quais convivemos...

A VIDA É TÃO CURTA...

Quando estamos bem próximos do Natal, nossos corações amolecem e se tornam mais sensíveis. Voltamo-nos mais para as coisas que envolvem valores morais e dignos. É o chamado espírito natalino que envolve a tudo e a todos. Foi com esse estado de espírito que li, em algum lugar, uma historinha curta, simples, sem a citação de seu autor e que é, a meu ver, altamente humana e espiritual. Leia comigo:

“Certo dia, uma jovem estava sentada num ônibus de transportecoletivo. Uma senhora mal-humorada sentou-se ao lado dela batendo-lhe nas pernas e braços com as numeras sacolas que transportava. Uma pessoa, sentada bem proxima, ficou chateada e perguntou à moça por que ela não deu a bronca ou disse poucas e boas para a senhora maleducada.A moça respondeu com um sorriso:

- Não é necessário ser grosseira ou discutir sobre algo tão insignificante!A jornada que faremos juntas é tão curta e eu vou descer no próximoponto.

Sua resposta merece ser escrita em letras douradas em relação ao nosso comportamento diário e em toda parte: * Não é necessário discutir sobre algo tão insignificante, nossa jornada juntas é tão curta *

Se cada ser humano pudesse perceber que a passagem pela vida tem uma duração tão curta, jamais iria obscurecê-la com brigas, argumentos fúteis, não perdoando aos outros quando de seus atos ruins ou impensados e até mesmo de ingratidão. Isso seria um desperdício de tempo e energia.

Neste Natal, pense: se alguém quebrou seu coração fique calmo, a viagem é tão curta. Alguém lhe traiu, intimidou, enganou ou humilhou? Fique calmo, perdoe, a viagem é tão curta... Qualquer sofrimento que alguém nos provoque, devemos nos lembrar de que a nossa jornada juntos é tão curta...

 Portanto, sejamos cheios de gratidão e doçura. A doçura é uma virtude nunca comparada à maldade, impaciência ou covardia, mas muito mais próxima à grandeza de caráter e espirito. Nossa caminhada juntos aqui é muito curta e não pode ser revertida. Ninguém sabe a duração de sua jornada. Ninguém sabe se terá que descer na próxima parada do ônibus da vida....

 Vamos, portanto, respeitar e compreender especialmente os amigos e familiares! Vamos ser calmos, respeitosos, gentis, gratos e perdoar uns aos outros. A viagem aqui é tão curta ...¨.  

INTENÇÕES DE NATAL...

Não tem jeito. Todo ano é a mesma coisa. Ao chegar Dezembro vejo-me impelido a fazer um balanço do que foi minha vida durante o ano que está por terminar. Lembrar-me de minhas vitórias e alegrias foi fácil, mas quando procurei avaliar se realmente corrigi atitudes e coisas indesejadas neste ano, minha memória falhou feio. Ainda bem que, em 2015, nesta mesma época pré-natalina, recorri à internet e salvei um rosário de intenções e metas a serem por mim cumpridas em 2016. A avaliação não foi das melhores, embora tenha conseguido alguma coisa na difícil arte de conhecer e dominar-me melhor. Melhorei relacionamentos, perdoei, fui perdoado, fiz novas amizades, pensei mais e falei menos e por aí vai.

            No entanto, um defeitinho ainda me persegue e até assusta. Já fui alertado pela minha mineirinha sobre as compras que faço sob impulso. Mas, juro que melhorei. Mesmo assim, tive alguns escorregões durante o ano. Cheguei a comprar um aparelho caro de remar que usei por uma semana no máximo e hoje está lá, no quartinho de despejo. Ainda bem que meus filhos, quando em visita, o usam. Mas, minhas estripulias não param por aí: assinei a revista Veja por um ano, só para ganhar uma mochila que apenas tem serventia quando de minhas esporádicas e rápidas viagens. Certa feita, anos atrás, assinei a Caras, porque receberia como brinde um faqueiro inox, de poucas peças e de qualidade temerária. Pra fazer compras por impulso eu sou caprichoso! Lembram-se daquelas famosas facas Guinzu (seria mesmo esse seu nome?)? Pois é, tenho algumas delas até hoje, em casa.

            Gente, sou terrível! Mas tomei uma resolução drástica: especialmente neste mês, quando somos bombardeados com ofertas e mais ofertas pela internet: não abrirei nenhum E-mail promocional e, quanto aos Spams, que são os reis das ofertas, irei deletá-los sem sequer saber do que tratam. Quer dizer, deletarei quase todos, porque ainda hoje vi num deles uma cafeteira que é oferecida por um precinho de Papai Noel. Será que eu tenho jeito? Tenho não, né?...

София plus.google.com/102831918332158008841 EMSIEN-3
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
  • 11
  • 12
  • 13
  • 14
  • 15
  • 16
  • 17
  • 18
  • 19
  • 20
  • 21
  • 22
  • 23
  • 24
  • 25
  • 26