Cilmar Machado

Cilmar Machado

O radialista Cilmar Machado escreve toda terça-feira neste espaço. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

cilmar

SER GENTIL...

Muitos dizem que no mundo atribulado de hoje não há lugar para gentilezas. Na luta pelo dia-a-dia, o ser humano parece haver se esquecido de ser até mesmo educado para com o próximo, seja ele homem ou mulher. Entre os homens, em sua maioria extremamente machista, manifestar gentileza é coisa de boiola. Com isso os relacionamentos se tornaram mais áridos e vazios. Complacência, tolerância e até mesmo amor ao próximo parecem ter sido banidos no comportamento do homem moderno. Nossa colega jornalista Martha Medeiros (jornais Zero Hora e O Globo), a exemplo de muitos de nós, não se conforma com isso e chega a listar uma série de atos elegantes, que apesar de esquecidos, se revividos fossem poderiam tornar mais amena e feliz a vida de todos nós. Eis o que ela proclama:

                ¨ Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.

Sobrenome, joias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza; atitudes gentis falam mais que mil imagens.

Abrir a porta para alguém? É muito elegante.

Dar o lugar para alguém se sentar? É muito elegante.

Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma.

Oferecer ajuda? Muito elegante.

Olhar nos olhos ao conversar? Essencialmente elegante.¨

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

SER GENTIL...

UMA SOLUÇÃO CASEIRA...

Todo governante está sujeito a críticas e o prefeito Edgar não é exceção. Mas seu espírito de luta pelo desenvolvimento de Lins é incontestável. Agora, anuncia que enviará à Câmara pedido de autorização para a venda do terreno junto à Rodoviária, no local onde se armam circos e parques que aqui se instalam temporariamente. Já havia tentado anteriormente fazer essa venda, alegando à época, que utilizaria o dinheiro obtido com a transação no asfaltamento de nossos mais distantes bairros. Sua pretensão, no entanto, foi rejeitada pela maioria da Câmara dos vereadores, sob a alegação de que a cidade perderia um belo patrimônio, pois o asfaltamento pretendido seria como jogar dinheiro fora, pois iria se deteriorar com o passar dos anos.

O prefeito volta à mesma ideia mudando, no entanto, a destinação do dinheiro que vier a obter com a venda do citado terreno. Será para a construção das arquibancadas de concreto e outras obras a serem realizadas no Estádio Municipal Gilberto Siqueira Lopes, atendendo com isso a Federação Paulista de Futebol, que exige tais melhorias no Gilbertão, para que o Linense possa mandar seus jogos em Lins no Campeonato do ano que vem. O projeto do prefeito abrigará ainda, no vão traseiro da arquibancada (que será para 2.500 pessoas), uma academia de artes marciais, o que constitui antiga e sonhada reinvindicação de seus praticantes. Com isso, matam-se dois coelhos com uma só cajadada.

                Penso ser essa ideia passível de acolhida pela Câmara, pois não se trata mais da perda de um patrimônio (o terreno) e sim da aplicação de seu valor financeiro em outro patrimônio dos linenses (o Gilbertão). Seria uma agregação e não perda, pois o chamado campo do Linense é da Prefeitura.  Se ficar com o terreno junto à Rodoviária, terá o município suporte financeiro para em lá construir algo, se não tem dinheiro sequer para a reforma do Estádio? O Prefeito tentou um empréstimo em longo prazo (20 anos, com dois de carência) e não conseguiu em consequência da crise financeira por que passa o país. Buscou os governos estadual e federal e, pelo mesmo motivo (falta de dinheiro), nada conseguiu. Então, viu-se na contingência de buscar uma solução caseira, razoável e criativa. A meu ver, se saísse o empréstimo nas condições propostas, seria muito mais pernicioso, pois teríamos uma dívida por longos 20 anos, sem se saber como será o nosso futuro econômico. Edgar estaria arriscando legar aos seus próximos quatro sucessores o que se convencionou chamar de ¨herança maldita¨.

                Pelo que sei, até quando escrevia esta crônica, a Prefeitura elabora um completo e detalhado projeto a ser enviado aos senhores vereadores. Espera-se pela acolhida e votação rápidas, pois o prazo para a abertura de Edital para a venda do terreno e depois da licitação para as obras é muito curto e precisa ser feito antes das eleições. Que os nobres edis deixem de lado as paixões e os interesses políticos e votem pelo bem e progresso de nossa cidade. O mérito de mais esta conquista pertencerá a todos, Executivo e Legislativo, e os munícipes saberão reconhecer isso quando forem às urnas na eleição que se aproxima...

ALVORADA FM...

Muitos me têm perguntado quando a Rádio Alvorada passará a operar em FM, deixando a faixa da chamada ondas médias nos seus 1080 Khz, desde sua inauguração (1962). Um velho sonho que em breve se concretizará, creio. O que está pegando é a burocracia imposta pelo Ministério das Comunicações que prevê um calendário envolvendo prazos e providências a serem observados pelas emissoras. No entanto, a Anatel (órgão regulador do sistema de radiodifusão nacional) tem atrasado a liberação de canais em nosso Estado devido ao aumento das rádios que se interessaram pela migração após o vencimento do prazo estabelecido, entrando tempestivamente com o pedido. Isso penalizou as emissoras que cumpriram todas as exigências burocráticas em seu devido tempo, e a Rádio Alvorada foi uma delas, fazendo com que se espere por uma nova distribuição de frequências. Pelo andar da carruagem, acredito que a migração venha a se concretizar somente no final de 2016 ou meados do próximo ano.

                Mas, apesar desse atraso, vale a pena. É um salto para a modernidade onde as rádios se tornarão mais competitivas e adequadas à tecnologia de nossos dias. No entanto, isso tem um preço bem salgado. Só a taxa a ser paga ao governo será superior aos 60 mil reais! Isso sem se falar da adequação da aparelhagem e novas instalações, estimadas entre 200 a 300 mil reais. É o preço da modernização. Fazer rádio no interior é um autêntico desafio. Espera-se por linhas de financiamento para que possamos encarar tais custos que se agigantam, notadamente em época de crise que ora o país vive.

                Uma vez instalada a FM, mais desafios nos esperam! O que apresentar aos ouvintes, que programação será vitoriosa? Tenho comigo que, em tempos da geração internet, a setorização, ou seja, a definição do público a ser servido, seja até uma questão de sobrevivência. A Rádio Alvorada, que sempre foi a emissora do povo, pretende dar sequência a essa linha de atuação, tendo uma programação totalmente voltada às populações da cidade e região. Queremos continuar identificados com o povo de nossa terra, buscando informa-lo e diverti-lo, observando seus gostos e preferências, usando sempre a linguagem que ele fala, entende e quer ouvir. É uma tarefa difícil, mas apaixonante, especialmente para quem faz o que gosta e tem o compromisso de honrar a radiodifusão brasileira, com um trabalho honesto e eficiente. Com isso, ganham nossos ouvintes e anunciantes. Essa é a meta.

NOVOS TEMPOS...

Amanhã, quarta-feira, será um dia decisivo na política brasileira. O Senado decide o afastamento ou não da presidente Dilma, após longo e demorado processo previsto na Constituição. Não discuto o mérito da questão deixando a cada leitor o direito de formar seu próprio juízo. Apenas ressalto que estamos vivendo realmente novos tempos onde a democracia está presente de forma plena. O povo observa, opina e discute abertamente os atos de seus governantes e os leva a prestar contas junto à sociedade. 

                Isso, para mim e muitos outros da chamada geração dos tempos da ditadura, é algo benfazejo e inusitado. Vivi uma época onde era passível de prisão qualquer manifestação contrária ao governo, que se mostrava duro, implacável e soberano. Votar era permitido apenas para a escolha do Prefeito da cidade e vereadores. A presença da mordaça às manifestações contrárias aos atos de nossos dirigentes maiores também se fazia presente no âmbito municipal, embora de forma menos rígida. O Prefeito reinava em seu município, com poucas vozes dissidentes na Câmara. A imprensa local - e eu fazia parte dela -, via de regra, apenas divulgava fatos e atos favoráveis ao Prefeito e, se algum jornalista ou radialista insistisse na crítica, era discretamente afastado ou despedido de seu emprego. Não havia o mecanismo da reeleição, mas os candidatos a chefe do Executivo eram sempre advindos da classe dominante na cidade. Com isso, os cidadãos não respiravam o ar benfazejo da renovação de seus representantes. Tempos difíceis aqueles!...

                Com a democracia e a expansão das redes sociais na internet, hoje de tudo se fala e tudo se comenta, de forma livre, aberta e sem censura. Também os representantes locais do povo estão mais vigiados e seus atos ganham maior divulgação e rápido julgamento. Os munícipes se tornaram mais partícipes e exigentes. Talvez por isso, as eleições que se avizinham prometem ser bastante disputadas. De um lado, o atual prefeito Edgar tentando a reeleição, e do outro, quem? Muito se especula, nomes são citados, mas até agora nada confirmados. Seria estratégia de campanha? Estariam esperando a convenção partidária? O que de novo poderia trazer um eventual candidato à Prefeitura?

                Neste ano, a meu ver, o povo só irá pensar nas eleições em cima da hora, ou seja, lá por agosto ou setembro, após as Olimpíadas. Será uma eleição a toque de caixa, onde os candidatos terão menor tempo para exporem suas ideias no rádio. Justamente por isso é preciso estar alerta e antenado em suas propostas. A história se repete, não é?...

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

UMA AULA DE CONTABILIDADE...

                Mais uma vez minha amiga Marise Lusvarghi, de Guapiaçu, nos brinda com uma verdadeira aula de contabilidade, o que é ótimo para nós leigos, que sempre procuramos por uma informação correta e cabal sobre as mais diferentes operações financeiras que fazemos no dia-a-dia. Ressalvo que, a autoria de tais definições não foi divulgada, mas presumo seja de um mestre. Caso ele se apresente, terei o maior prazer em citá-lo numa de minhas futuras crônicas. Que este CRÉDITO lhe seja antecipadamente assegurado. Confira comigo:

PARA QUEM NÃO ENTENDE NADA DE CONTABILIDADE, VAMOS EXPLICAR MAIS OU MENOS COMO FUNCIONA:


A solteira é....................... Crédito;
A casada é....................... Débito;
A cunhada é..................... Provisão para Devedores Duvidosos;
A bonita é........................ Lançamento Certo;
A feia é............................ Estorno;
A feia e rica é................... Conta de Compensação;
A bonita e rica é................ Lucro Certo;
A ex-namorada é.............. Saldo de Exercícios Anteriores;
A namorada é................... Resultado de Exercício Futuro;
A noiva é.......................... Reserva Legal;
A esposa é........................ Capital Integralizado;
A vizinha é......................... Ações de Outras Companhias;
A amante é........................ Empresa Coligada;
As que fazem operações plásticas são................ Obras e Benfeitorias;
As restantes são............................................... Obras em Andamento;
As que dão bola são.......................................... Incentivos Recebidos;
As que não são viúvas, casadas ou solteiras são....... Contas a Classificar;
As que muito namoram e não se casam são.............. Saldo à Disposição da Assembleia;
As que são surpreendidas em flagrante são.............. Passivo a Descoberto;
A sogra pode ser classificada como PREJUÍZO ACUMULADO.

                Agora, já sabendo tudo sobre operações financeiras, espero que lhe sobre dinheiro suficiente para poder vivenciá-las integralmente. Um abraço amigo aos contabilistas de nossa cidade, especialmente a minha querida Silvana Takada, que há anos persegue nossas operações financeiras, que não são muitas, mas dão-lhe imenso trabalho.

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

A VOLTA DO MENESTREL...

Voltado à luta diária pela sobrevivência e ainda na conquista de seus ideais materiais, o homem comum chega a se perguntar pra que serve um poeta? Que produtivo pode ser alguém que apenas sonha e vive no mundo das quimeras? É um ser que não trabalha, dependente dos outros, portanto descartável...

                Ledo engano! Sonhar é preciso, já dizia uma velha canção portuguesa. Os poetas e escritores têm o dom inspirador que norteia os objetivos e a ação de toda humanidade. Exemplos há e muitos. Será que o homem chegaria às conquistas continentais se não houvesse sido influenciado pelo sonho de Júlio Verne, em sua obra ¨Cinco Semanas num Balão¨ (1863)? Brasília, nossa capital, teve por base uma visão de Dom Bosco a qual foi tornada realidade em 1960, por JK. No dia-a-dia, os poetas também falam de sonhos de amor, de espiritualidade, de generosidade, fonte inspiradora para a imensa maioria dos mortais.

                Feliz a cidade que possui seus poetas! Lins, não foge à regra e sente-se honrada com o retorno de seu querido menestrel Agmon Carlos Rosa, que após décadas daqui ausente ao nosso seio retorna. E vem com a corda toda, nos altos de seus 80 anos bem vividos. Seja bem-vindo, amigo e poeta, linense por adoção, carinho e inspiração...

                Eis uma pequena mostra de sua pena inspirada:

 

¨A VOLTA DO POETA!

               

O tempo esse desconhecido, onipresente,

                Passa por nós e emoções nos deixa!

                Século e milênio nos contemplam,

                Da partida e volta do poeta a terra

                Que nos viu nascer, crescer e amar!

                               A saudade que nos fez persistir,

                               Buscar lembranças, emoções vividas,

                               Amigos que um dia deixamos,

                               Amores que partiram e pranteamos.

                E não me constranjo de me sentir feliz,

                De amar a vida, tanto assim,

                LINS! Paixão a moda antiga,

                Deixei de ser ¨EU¨ para ser ¨NÓS¨!

                                               Agmon Carlos Rosa.

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

LINS, QUASE CENTENÁRIA...

Sempre que chegamos a mais um ano de vida temos a natural tendência por fazer um balanço do que se passou até então. No aniversário do município isso também ocorre e naturalmente retroagimos no tempo até quanto nos lembramos de pessoas e fatos que marcaram nossa Lins. Bem ou mal, contidos ou atirados, populares ou personalistas, eficientes ou não, na verdade, os prefeitos que por aqui passaram foram os construtores de nossa história. Talvez por isso e também pelo glamour que o cargo oferece, a corrida pela Prefeitura já está bastante movimentada. Opiniões, comentários e críticas são vistos nas chamadas redes sociais que se transformaram em autêntico fórum de debate popular. Ali, ex-Prefeitos são criticados ou louvados, nomes são sugeridos e até proclamados para ocupar o maior cargo da cidade. Mas, qual seria o Prefeito ideal? Que atributos deveria ter para levar Lins a maior progresso e desenvolvimento? A lista de exigências dos internautas eleitores é extensa e algumas beiram a utópica imagem de um autêntico super-homem! Sonhar não é pecado, como diria o poeta...

                A exemplo do que ocorre na vida de todo cidadão, cada prefeito é fruto de sua época. Sua atuação atende aos problemas mais prementes enfrentados pela sociedade de seu tempo. Não há muito o que inventar ou inovar. O prefeito faz aquilo que lhe permita a receita do município e as eventuais verbas que possa conseguir junto aos governos estadual e federal, mercê de seu Partido, prestígio e relacionamento político. Saber bem relacionar-se com todos é-lhe condição imprescindível, pois muitas vezes, o fracasso em se conseguir benefícios à cidade se deve à falta dessa qualidade no administrador. Portanto, acrescente-se na lista de atributos a serem exigidos dos eventuais candidatos, a capacidade de relacionamento, de diálogo, de convencimento. Um Prefeito que não se comunica com seus munícipes, vereadores e autoridades estaduais e federais, nos dias de hoje, estaria relegado a um isolamento pernicioso ao seu futuro político e ao município. Nenhuma cidade é uma ilha! Tivemos prefeitos tipo gerentão, isto é, ótimos para administrar a cidade e péssimos no relacionamento político. Outros houve que agiram exatamente ao contrário dando ênfase apenas à política, esquecendo-se da administração do dia-a-dia. O ideal está no meio termo. É preciso alguém que saiba sonhar, mas tanto quanto possível com os pés no chão. Neste ano em que o prazo para expor suas ideias no rádio será mais curto, o candidato a Prefeito necessitará se virar nos 30, como diria o Faustão, para se dar a conhecer e divulgar o que pretende fazer. Já antevejo o valor e a eficiência das redes sociais neste particular. O eleitor é preciso ficar atento e saber separar o joio do trigo.

Arrematando, ao comemorarmos os 96 anos de nosso município, constatamos no frigir dos ovos que Lins cresceu o tanto quanto podia nas três últimas décadas, mas poderia ser melhor. Estamos na base do ¨tá ruim, mas tá bão¨. Mas as esperanças não se esgotaram. Novas forças se movimentam neste ano eleitoral o que nos garante, quem sabe em breve, começar de novo...

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

OS DOIS BRASIS...

Em 1957, o francês Jacques Lambert publicou o livro Os Dois Brasís, no qual destacava a grande diferença no desenvolvimento econômico e social entre o Norte/Nordeste e o Sudeste e Sul Maravilha. Se fosse nos dias de hoje, sob o ângulo estritamente político, os dois Brasís seriam Brasília e o resto do país. Enquanto na capital federal os políticos se degladiam na manutenção ou conquista do poder, executando manobras nem sempre recomendáveis, paralisando com isso o desenvolvimento e a economia da nação, os cidadãos comuns dão verdadeiros exemplos de solidariedade e desprendimento. Na semana que se passou, três fatos ocorridos em nossa cidade testemunham exatamente isso.

                Contando com o apoio financeiro de muitos solidários doadores, o pequeno linense Enzo Corrêa realizou o primeiro transplante de células endoteliais em um dos olhos no último dia 5, em Sorocaba. “A cirurgia foi um sucesso e ele está bem”, afirmou a mãe Daniele Bighetti Corrêa. A luta por mais doações continua para sequência de seu tratamento.

                Outro fato relevante, que carrega grande dose de humanismo e solidariedade, foi o encontro entre dois linenses que não se falavam há vinte anos. Manoel de Lima, o King, antigo motorista de taxi no Ribeiro e Militão Caetano do Rego, consagrado alfaiate aposentado, respectivamente com 91 e 94 anos de idade, voltaram a apertar as mãos reatando velha amizade desde os tempos da Liga Linense de Futebol Amador, então dirigida por Militão, onde King era árbitro. Concorreram para que o encontro se desse de maneira emocionante e harmoniosa, a filha de Militão (Sandra), o filho de King (Paulo César) e o amigo comum de ambos, Luiz Carlos Nardi.

                E a coisa não parou por aí! Surgiu mais um acontecimento marcante o qual foi exibido pelo Luiz Carneiro, no Facebook. Mostra fotos em que o senhor Jerônimo Lima, de 90 anos, aparece fazendo o plantio de mudas de árvores frutíferas ao longo da pista de Cooper, na marginal do Campestre. Sua alma simples, de origem sertaneja, de há muito percebeu a necessidade de árvores em nossa tão calorenta cidade. O fato de só plantar frutíferas se justifica ao visar o futuro, como ele bem diz.

                São fatos como os acima narrados que nos fazem crer ainda mais na pureza de intenções do cidadão comum, tão distante das disputas pelo poder e tão próximo do dia-a-dia de nossas vidas...

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

AMOR RECICLADO...

Descreve-la é fácil. Basta olhar para ela. Negra, corpo miúdo, dotada de uma beleza reprimida e castigada pelo trabalho de sol-a-sol, enfrenta o dia-a-dia empurrando um improvisado carrinho de mão pelas ruas da cidade à cata de papelão, garrafas pet e latinhas de cerveja. Assim é a vida dessa mulher que, cotidianamente passa em frente a minha casa. Parece ser de poucas palavras, mas não esconde o sorriso vez ou outra. É um sorriso quase introspectivo, pois só acontece quando ouve algo engraçado através dos fones de ouvido do radinho que a acompanha sempre. Tentei falar com ela, mas fiquei no meio do caminho. Senti-a distante e ensimesmada. Notei que gostava de fumar. Talvez fosse esse o único prazer que a fizesse sentir-se viva.

                Os dias foram passando e meu desejo aumentando por saber mais de sua vida. Minhas intenções buscavam tão somente conhecer os gostos, aspirações e desejos de tão diferente e quase exótica figura humana. O acaso, talvez o destino, conspirou finalmente em meu favor...

                Numa tarde quente, como o são todas as tardes em nossa cidade, ouço o toque do interfone. Uma voz feminina, que me pareceu rouca e cansada, pediu-me um copo d’ água. Ao abrir o portão para atender o que me fora solicitado, deparo-me com a moça da reciclagem. Suada, cansada, sem os fones de ouvido de seu inseparável radinho, havia estacionado o carrinho na frente de minha casa. Água bebida, papo iniciado.  

                Disse chamar-se Guiomar. Mãe solteira por duas vezes vira os companheiros se afastarem dela fugindo da responsabilidade no sustento de mulher e filhos. Por isso, ralava diariamente, em busca de produtos recicláveis que lhe garantissem ao menos o leitinho das crianças. Seus olhos fundos, marcados por imensas olheiras que denunciavam uma vida de aflição e de pouco sono, chegaram a brilhar quando falou de suas crianças, de dois e quatro anos.

                - E os amores? Você é nova ainda e tem muita lenha para queimar, disse-lhe procurando amenizar o baixo astral que insistia em ali se instalar.

                - Em matéria de amor, sou até pior que as latinhas de cerveja e garrafas pet que recolho. Elas, ao menos, servem para a reciclagem e são mais úteis que eu e minha vida. Pra quê um novo amor, senhor? Não carece. Homem não presta mesmo e eu não quero mais saber de nenhum deles.

                E assim foi encerrado o papo. Agradeceu o copo d’ água e saiu empurrando o carrinho, como se ele fosse tal e qual sua vida: andando sempre, recolhendo aqui e ali, migalhas de amor que lhe foram negadas pela vida e marcadas pela incompreensão e sofrimento...

RECEITA PARA BEM VIVER...

Dona Isaura, Isaurinha para os íntimos, é uma figura minúscula e delicada que gosta de sempre sorrir. Sinto-me bem ao conversar com ela, pois aos 85 anos, extremamente lúcida, sempre tem uma palavra interessante e apropriada para com todos. Dia desses, quando se aproximava a data de seu aniversário, não pude deixar de perguntar-lhe sobre o segredo de sua longevidade e otimismo. Sem se fazer de rogada, Isaurinha começou a desfiar um autêntico rosário de sabedoria, vindo de sua sofrida experiência e de seu coração. Acomodou-se em sua poltrona favorita e sentenciou:

                - Meu filho, há algumas coisas que observei ao longo do tempo e que tornaram minha vida mais tranquila e feliz. São coisas simples, mas funcionam. Quer saber?

                Após dizer-lhe sim, tomou em suas mãos um velho e amarelado caderninho e passou a ler:

- Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que se trata a caminhada de cada um de nós;
- Na vida, tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe porque Deus nunca dorme;.
- Respire bem fundo. Isso acalma os pensamentos;
- Ninguém é responsável pela sua felicidade, só você.
- Perdoe a tudo e a todos.
- O que as outras pessoas pensam de você não é de sua conta. A única boca que você poderá controlar é a sua;

- Deus te ama por causa de quem Ele é e não pelo que você fez ou deixou de fazer. Ao servir a Deus não há contabilidade e nem toma lá, dá cá;
- Seus filhos só têm uma infância. Ao crescerem, deixe-os seguirem suas vidas;
- Lembre-se sempre que tudo o que realmente importa, no final da vida, é que você amou.
- A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente de Deus...

                Agora todos já sabemos o segredo da longevidade de Dona Isaurinha. É só seguir seus conselhos e partir para comemorar, quem sabe, nosso centenário...

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

София plus.google.com/102831918332158008841 EMSIEN-3
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
  • 11
  • 12
  • 13
  • 14
  • 15
  • 16
  • 17
  • 18
  • 19
  • 20
  • 21
  • 22
  • 23
  • 24
  • 25